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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

CONTROVÉRSIAS


Ela queria amor,
Ele paixão.
Ela queria carinho,
Ele tesão.
Ela queria alegria,
Ele solidão.
Ela queria tempo,
Ele momento vão.
Ela queria prioridade,
Ele opção.
Ela queria tanto querer,
E ficou na ilusão.
Pois ele se chamava,
"Um cadinho de decepção".

Marly Bastos

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

ASSIM VOU VIVENDO...


Cada dia, vou criando minha história,
Com sonhos interrompidos, cravados na memória.
Aqueles detalhes que passam despercebidos,
Vão tecendo minha vida... Atos por impulsão...
Amores mal resolvidos,
Que ficam no coração...

Às vezes vem o pranto sem razão,
Vem o riso pra não chorar,
Arrependimento pelo silêncio de um não
Pelas coisas que deixai de enfrentar!

Quantos silêncios, por medo de falar,
Quantas coisas faladas, quando devia calar!
Houve tantas promessas que não cumpri,
Tantas vontades que não vivi...
Desisti de muitas coisas sem nem mesmo tentar,
Com medo de meu comodismo confrontar!

Deixei lembranças caírem no esquecimento,
Vivi muita coisa em apenas um momento...
Desejos que me fez ter noites mal dormidas,
Saudades de pessoas que por mim tão queridas,
E que pelas voltas do mundo se fizeram perdidas.

Marly Bastos

sábado, 21 de dezembro de 2013

CONTOS DESENCANTADOS

                                                        imagem da internet
E depois da conquista? Ele ainda continua com as mesmas gentilezas? 
A maioria das mulheres reclama que não. Uma pequena parte diz que mais ou menos... E uma minoria (sortuda por sinal) diz que sim.

Antes ele se empenhava em chegar no horário marcado, em mandar uma mensagem de bom dia por e-mail ou celular, um recadinho no para-brisa do carro, uma flor na mesa do café da manhã, ao menos um telefonema no dia para ouvir a sua voz...

Você foi totalmente conquistada pelas atenções, galanteios, gentilezas! O homem dos sonhos. Você vive o amor que sonhou, o conto de fadas, pois encontrou um príncipe. Pensa nele dia e noite. Sonha acordada, delira, devaneia! É o homem da sua vida.

Dizem que o que é bom dura pouco, outros dizem, que quando a paixão é avassaladora, tem que ter tempo curto para não desgastar quem a sente. Não sei, só sei que as coisas vão mudando, você já não tem a segurança de estar no paraíso, pois seu coração padece por uma dor inexplicável. Ele parece não ser mais sua cara-metade, já não tem no olhar aquela chama que te queimava inteira... Algo está fora do eixo.

Aos poucos os recados de e-mail vão parando de aparecer na sua caixa de mensagem, os SMS ficando mais escassos e menores, os recadinhos somem do para-brisas (você até pensa que alguém anda sabotando-os), ele já não tem tempo para o MSN, Skype, nem dar as caras no Facebook ou dizer oi pelo celular e quando você liga, vai pra caixa de mensagem e se liga no fixo e ele atende, diz que está ocupado e que retorna depois... Não retorna. Ele decididamente não anda encontrando mais tempo pra você.

Quando você resolve ter um “DR”(para quem não sabe é “discutir relacionamento”), o cara diz que se sente apavorado com os sentimentos dele, que não está preparado ainda pra um relacionamento do jeito que você quer, que você é uma menina pra casar, enfim... Tudo baboseira, o que ele quer dizer realmente é que está desinteressado, e não se sente responsável pelo que cativou! Well... Acho que na verdade é pé na bunda minha amiga!

Você se sente uma verdadeira idiota, enganada, coitada... Depois tem vontade de matar o sujeito. Não Mata! Em casa, fica pensando e olhando pro teto e daí vem uma vontade louca de ligar e o mandar para aquele lugar, mas você não manda! Chora e sofre, sofre e chora...

Você está desencantada e se sentindo o “cocô da mosca que posou no cocô do cavalo do bandido.” Pobre menina conquistada! Triste menina desiludida! Não tem como, você tem que aceitar que o sonho acabou e o encanto se desfez. A varinha de condão se tornou um punhal cravado no seu peito, esquecer é o jeito! A fada madrinha caducou e esqueceu que você é enteada, e o príncipe, virou sapo de repente.

Duas coisas positivas ficam nesse “pé na bunda”: primeiro ele empurra pra frente(e você vai precisar dessa força pra continuar...rsrsrs) e segundo, geralmente você emagrece e fica linda pra “encher” outros olhos. Aproveite então, estas duas oportunidades e parta pra outro conto, pois esse já está desencantado.

Marly Bastos

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

REFLEXOS.

                                                          IMAGEM EXTRAÍDA DA INTERNET

Onde ficou minha juventude?
Por onde se embaçou meu viço?
Tantas coisas pra viver,
Presas na gaveta do tempo,
Emperrada pelo cotidiano.

E assim...
A vida vai passando,
O tempo correndo,
Os sonhos crescendo...
A alegria tão escancarada
A tristeza camuflada...

Que vincos são esses no meu rosto?
Caminhos de aprendizagem?
Sinônimos de longo viver?
Ou seria o reflexo
Do amarrotar da alma?
Ou do morrer da juventude?...

Então, dou vivas ao amadurecer!
Na face,
Semblante perfeito onde o sorriso nasce,
No riso,
De deliciosos momentos sem siso.

No amor,

Mesmo que cresça na dor.

Nos vincos e laços,

Que juntam num todo, meus pedaços...

Marly Bastos

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

DE NOVO O RENOVO!


Quantas coisas maravilhosas nos aconteceram nesse ano! Quantas coisas para agradecer, tanto por rir e festejar! Coisas ruins também aconteceram, mas cá estamos nós superando cada fase, cada perda, cada obstáculo... 

Falando sobre esse mundo virtual, fizemos amizades, consolidamos encontros e nos apegamos ao convívio dessas pessoas que mesmo através da escrita, dos comentários ou da tela se tornaram reais e importantes.

Algumas entraram em nossas vidas por um tempo e por alguma razão e muitas saíram por alguma casualidade... Não questiono as idas, as voltas, os sumiços e as aparições, pois eu mesma já tive várias crises reais, vários motivos para “chutar o pau da barraca” e hoje estou aqui escrevendo, às vezes para aliviar a alma, outras para partilhar alegrias e ainda outras vezes, para chorar num ombro amigo [e encontrei muitos por aqui].

Nessa blogosfera, partilhamos talento, criatividade, sentimentos, carinho, sonhos, expectativas, decepções... Enfim, partilhamos nossas vidas, direta ou indiretamente. E agradeço de coração por sua manifestação de amizade e acolhimento, que mesmo sem saber, em algum momento suas palavras foram conforto e comunicação de vida em mim e sinto-me feliz por saber que de alguma maneira pude também proporcionar algum conforto e alegria para alguns em momento de necessidade e carência. 

As pressões e mazelas no nosso cotidiano, não é motivo para desistirmos de escrever, pois na escrita deixamos nossas impressões, sonhos, desejos, sentimentos e é esse um dos prazeres da vida, é brincar “grande”. E é nesse brincar que sentimos satisfação em dar e receber palavras escritas que movem e comovem o nosso imo.

O Natal é símbolo de vida nova, de renovo, e nele se comemora o nascimento do Homem que revolucionou o mundo e nos trouxe a salvação e esperança de um Novo Porvir. Jesus Cristo, Senhor absoluto da vida, nos trouxe a libertação das fobias humanas. Nele somos livres e mais que vencedores. Que neste natal sejam confraternizados todos os desejos de um mundo melhor! E para isso é necessário fazer um balanço de tudo que aconteceu, e transformarmos em saldo positivo os momentos ruins e difíceis, afinal são eles que nos ensinam a trilharmos nossos passos de maneira diferente e a sermos mais fortes. É tempo de agradecer a Deus pela vida maravilhosa que Ele nos deu e pedir discernimento e sabedoria para vivê-la em abundância. 

Uma beijoka super doce nesse fim de ano, que cada amigo receba meu abraço fraterno e oração pedindo para que sua vida seja abençoada hoje e sempre! Que tenhas um abençoado Natal e um Ano Vindouro com a prosperidade em teu encalço! E que ela sempre te alcance.

Marly Bastos

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

AMANHECI...


Hoje comecei o dia com aquela nudez sensual,
Dessas que desnuda a alma,
Esconde a cara,
Vela o corpo
E mostra-me como sou.

Comecei o dia meio poetisazinha vagabunda,
Fazendo banquetes imagináveis no paraíso,
Chutando os “Cem anos de solidão” para viver um” Amor de perdição”...
Tipo assim, “Assis” e quase Capitu.

Comecei o dia meio antiteseada!
Estou deveras sádica um pouco agradável
Com risadas cristalinas, risinhos forçados e beiços esticados.
Meio Drumondeneada, dizendo sem nada falar,
fazendo aquela “cara meio assim, meio assada”.

Comecei o dia meio que cotidiana, meio imitação,
Já que hoje estou igual a ontem, mas nunca do mesmo jeito...
Estou meio voo alto, mergulho e salto!

Estou meio pouso, meio esperança e muitas distâncias.
Comecei o dia meio limite, meio sonho e grande vontade.
E no meio de tudo encontro liberdade.

Marly  Bastos
[Voltando às palavresias... Se eu ainda escorregar no tema, relevem por favor]

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

UM CERTO OLHAR MAIS APURADO

                                 Imagem da WEB

Certas reflexões são como uma bússola que levam nossas lembranças ou mesmo nossas esperanças para várias direções... E nesses momentos necessitamos de uma dose de humildade e contrição, pois não há como desengavetar sentimentos arraigados na alma, sem reconhecermos que podemos ser melhores do que temos sido; que optar por mudanças vai fazer toda diferença (embora às vezes resistamos à essas mudanças); e que toda flexibilidade dos nossos sentidos fazem-se necessários para metamorfosearmos os sentimentos, pensamentos, e conhecimentos até o fim da nossa vida. 

Roberto Shinyashiki diz que "Na simplicidade aprendemos que reconhecer um erro não nos diminui, mas nos engrandece, e que as pessoas não existem para nos admirar, mas para compartilhar conosco a beleza da existência." Com o tempo descobrimos que a sabedoria na maioria das vezes está em calar e não em deslancharmos nossas verborragias e ações como demonstrações de "sabidices". Descobrimos que pedir perdão, abre portas já fechadas, que um elogio refrigera a alma de quem o ouve e engrandece quem o lança. Tentamos conforme amadurecemos, a fazer as coisas de maneira diferente, embora nem sempre conseguimos, pois a nossa natureza é por si mesma malévola, e nos pegamos em flagrante às vezes , fazendo exatamente aquilo que condenamos [ mas nem por isso fracassamos, pois o mais importante é tentarmos e tentarmos, até acertarmos].

Reflexões que atingem nossos sentimentos deixam nossa alma nua e exposta. Descobrimos que somos feitos também de inveja, raiva, contendas, revoltas, murmurações... Descobrimos que magoamos pessoas, e de alguma forma, com consciência que fazíamos isso (mas, era o melhor pra nós...). O início de tudo é nos perdoarmos, pois quando erramos, raramente o fazemos por gosto, e sim por desconhecimento ou falta de discernimento... Se não nos perdoarmos, como perdoaremos o nosso semelhante?

Por vezes é necessário fazer essa viagem inusitada para dentro de nós mesmos, reconhecendo nossos erros, pecados, enganos e desenganos. Na vida é natural cair, mas é essencial levantar sempre, sacudir a poeira e dar a volta por cima. É necessário coragem para fazer uma retrospectiva, aonde vêm à tona muitas revelações, dando-nos entendimento que para sermos um pouco melhores, temos que efetivarmos verdadeiras mudanças naquilo que embota nossa alma e desafiá-las a se desinstalarem da nossa existência, pois somente assim podemos vencer o jogo da vida e essa natureza tão (des) humana que temos.

Marly Bastos

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

E CHUCHU DÁ LUCRO?

                                                          Imagem da WEB
Meu tio-avô pegou emprestado com meu avô materno uma quantia razoável em dinheiro para comprar umas tralhas de pescaria e mais um arado para lavrar a terra e “plantar uns grãos” conforme ele dizia. E assim que a plantação fosse colhida ele pagaria o irmão...

Passou-se mais de um ano e nada de acerto referente ao dinheiro emprestado e por isso meu avô foi atrás para receber. Chegando lá meu tio o recebeu com alegria e cortesia, oferecendo um café fresquinho e muitos sorrisos. 

Meu avô já “macaco velho” nesse negócio de empréstimo, com jeitinho quis saber a quantas andava a colheita e se tinha feito boa safra. Meu tio com aquele jeitinho matuto e esperto de ser começou a contar a história:

-Bão Francisquim, na verdade verdadeira eu nem cheguei a prantá... Eu comprei as traia de pescaria e me distraí na beira dos corgus[córregos], aí veio a chuva e num dava mais pra ará a terra, intão sem ará a terra num tem como simiar os grão... Daí estou viveno agora de lambaris, papa-terra e corrós. Só pesca... Num teve coieta.

-E como é que você vai me pagar então? – Pergunta meu avô.

-Oia, eu não prantei grão, mas ainda deu tempo de prantar um chuchu já de raminhas e ele já formou uma “latada” na cerca e no giral que eu fiz pra ele e já tem chuchuzim... Quando eles tiverem já grandinhos eu vou catá, levar pra cidade, vender e com o dinhero apurado eu pago ocê.

- Isso é brincadeira sua né Izaque? Chuchu não dá pra pagar dívida não, você tem que criar vergonha nessa cara e caçar jeito de trabalhar sério! -Meu avó ficou muito bravo!

- E acha que num é sério prantar chuchu? Intão espera inté o ano que vem pra eu lavra a terra e simiar os grão, mas vai tê que me fornecê os grão porque os que tinha eu comi, ia perdê memu...

Não sei bem o final da história, mas acho que meu avô nunca recebeu esse dinheiro. E ouvi contar que o chuchuzeiro morreu antes mesmo dos chuchus crescerem. E os grãos pra outra plantação, tiveram o mesmo fim dos primeiros...
Marly Bastos

domingo, 27 de outubro de 2013

A DOR DA GENTE.

                                    imagem da Web


É inevitável a dor da perda! Todo mundo, um dia ou outro tem que viver isso, e não é uma fatalidade, mas é o viver. Dói demais a perspectiva de não ter mais ao nosso lado alguém que a gente imaginava ser eterno. O “nunca mais” dói! E quando esta dor se une à ideia de não termos feito algo mais, não termos dito tantas coisas guardadas, de não termos abraçado mais, ainda é pior.

É preciso evitar o “ se eu soubesse", " se eu pudesse voltar", “e se tivesse...”. Infelizmente haverá outras perdas e você as viverá melhor se souber que fez sua parte, que ofereceu flores e que a pessoa pode contemplar sua beleza e sentir seu perfume... Mesmo assim, ainda vai doer demais, mas de maneira bem diferente [sem questionamentos torturadores, sem amarguras, sem revoltas, e sem desespero]

A dor da gente parece mais dolorosa que a dos outros, isso é porque é nossa, nós a sentimos. E não há mesmo comparação entre dores. A dor pode até ser igual, mas é sentida de modo diferente. Somos insubstituíveis, e cada pessoa tem um relacionamento diversificado com alguém e esse é o patamar para o nível da dor. E por mais que o tempo passe, por mais que o mundo dê voltas, vai ficar um sentimento de orfãnidade dentro de nós pela perda de alguém querido.

Tenho lutado contra essa dor torturadora. Sei que no correr dos longos dias ela se vai, e quero sentir alívio e não frustração, pois sei que um grande amor não exige dor e luto eterno, estes não podem durar mais que a beleza da vida e a nossa eterna gratidão ao bom Deus, por ter nos agraciado com a longevidade de dias [e não é coerente viver essa longevidade na tristeza e angústia].

Permito sim um descansar para essa dor emocional, mas sei que ela tem um tempo limitado, não posso paralisar e estar eternamente desestabilizada, senão assim em vez de uma perda, teremos duas, a da pessoa amada e a da nossa essência.

Diariamente tenho exercitado a gratidão pelos momentos, tempo e partilhar de uma vida em comum ao lado dessa pessoa amada que se foi, e isso tem sido uma fonte de cura dessa dor.É com base nesse nosso relacionamento com Deus que os nossos sentimentos bons emergem. Eu não resisto às minhas emoções. Sinto tristeza, dor e me permito sem contar o tempo o meu luto, mas evito a autopiedade, afinal esse é o ciclo da vida. O João se foi, mas não o amor dele, esse permanece em mim e em todos os que o amavam.
Marly Bastos

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

COISAS DA LEMBRANÇA.



Imagem da WEB

Tantas coisas queria que voltasse ao encanto do que já não é...
Pois em meio a coisas desbotadas,
Sempre fica algo que ainda vibra e vive...
Que não volte o tempo!
Mas volte, aquelas sensações que fazem vibrar!
Que surja o momento de viver novo sentimento,
Já que a vida tem novas luzes no amadurecimento.

O olhar pode até se perder no embotamento,
Todavia, que o desejar seja apenas lembrança morna 
Da beleza total do que se foi...
Que o limite do sonho, seja barreira ruída ao ser tocada a emoção,
Pois há coisas que não precisam ser ditas,
E outras que não precisam ser tocadas...

Que sensações adormecidas sejam cutucadas de mansinho,
Pois as vontades que o tempo deixa, no coração é ninho.
Que as lembranças sejam fonte de inspiração,
Embora às vezes, elas são apenas fome do coração.
Fome!
Fome de alçar um voo mais alto,
De mergulhar no mundo que já se foi num salto,
Fome de ter onde pousar,
De fazer acontecer, de metamorfosear!

Marly Bastos

terça-feira, 22 de outubro de 2013

FELICIDADE, TU ÉS TÃO FUGAZ!


Ah felicidade, como és momentânea! Quanta relatividade há em tua realização. Quantas controvérsias em tua busca... Dizem que és insaciável, que buscas sempre teres mais, e quando alcanças já não é suficiente. 

E tu humano? És um ser tão instável, que nunca encontra-te da mesma maneira. O que te faz feliz hoje, já não faz a diferença amanhã, e assim vives sucessivamente nessa busca… Lutas por algo fervorosamente, sonhas indefinidamente, sofres , projetas, e quando consegues as realizações, já não te sentes realizado. Tens a impressão de que não era bem aquilo que querias... E ai, continua tua busca da “verdadeira felicidade”

Quando te sentes com o coração vazio, necessitas preenchê-lo com alguma coisa, então te utilizas dessa busca insana pela felicidade... Saibas que felicidade não é um destino ou local aonde tu podes chegar, mas é um caminhar, um colecionar de momentos, e que ao término dessa jornada possas contabilizar e chegares a conclusão que a soma de momentos felizes trouxe-te a fugaz felicidade. 

Tão fragmentada és felicidade! Feita de momentos que se registram para sempre em nossa memória. Definitivamente tu não estas onde efetivamente te procuram, pois plenamente não és deste mundo [aqui és apenas rascunho]. 

Que felicidade relativa! Então, deves demorar-te naquilo que te faz feliz, viveres com mais intensidade os momentos que sentes este estado de graça fluir na tua vida. Há os que se sentem felizes com coisas simples e outros com coisas grandiosas, portanto tu vives, sentes e usufruis desta dita felicidade de um jeito único. E saibas que jamais serás o mesmo de ontem, de hoje ou de amanhã, pois a vida é incerta. Entretanto, a complexidade da felicidade faz com que acredites que ela será possível nas mais diversas circunstâncias da tua existência.

Ah humano, saiba que a felicidade é apenas o coletivo de fragmentos felizes que passaste. São momentos, flashes, clicks mágicos dentro de tuas emoções sentidas (numa comemoração, num encontro de amor, no casamento, numa premiação, promoção profissional, no nascimento do filho, numa conversa com Deus...). E isso vai se acumulando nas tuas lembranças, na tua alma e te faz transbordar em êxtase e contentamento...

Felicidade és inexplicável, por ser um estado de alma, fluindo de dentro para fora, e nasces no espírito que é insondável para o homem!

Marly Bastos

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

CAMINHAR DA VIDA

Imagem da web

Ando pela margem da minha vida...
Deparo-me com rascunhos
e esboços do que seria minha felicidade
E noto as rasuras mascaradas nos grafismos sobrepostos
das minhas saudades e melancolias mau apagadas...
[Aliás, rasuras que o coração não aceita ressalvas...]
Piso com cautela nas linhas que traçam minha história,
mas desastrosamente tropeço nas entrelinhas
onde ficam escondidos tantos “porquês”, “se”, “talvez”...

Marco com pegadas cordiais,
cada branco que ainda vejo para ser caminhado
e traço caminhos que apontam para a suprema realização do meu eu.
Parece-me que sempre a bússola aponta para a “Terra do Nunca”.
E nessa página onde deixo o meu escrevinhar,
minhas lágrimas traçam desenhos tão abstratos sobre a tinta,
que nem eu sei o que são...
Mas sei que selam as vontades, as carências, as dúvidas
e a falta que você me faz.

Marly Bastos

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

O AMOR É ESTRANHO [Postado em outubro de 2012... Uma ano atrás]


Ahhh quão estranha é essa forma de amar! Seria perfeita se fosse aquela que o apóstolo Paulo nos ensina em I Coríntios 13:4-7: “O amor é sofredor, é benigno, não é invejoso, não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça e sim com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” 

Todavia, amamos um amor enciumado, com contendas bobas às vezes. Sentimos medo de perdermos um ao outro; sentimos raiva por não sermos entendidos, de não sermos notados... Pensamos em desistir no meio do caminho quando sentimos os obstáculos maiores que nossas possibilidades[e muitas vezes voltamos ao ponto de partida...]. Irritamos por coisas corriqueiras, e fazemos de simples pingos de chuva, uma tempestade. 

Apesar de tudo, sinto que vale cada dia contigo, quando ao acordar vejo que me contempla com olhos de admiração. Admiração?? Como pode amor? Já não sou mais a jovenzinha que você conheceu e ao longo dos anos notou o meu transformar em mulher madura, um tanto mais segura, com uma voz mais mansa, uma personalidade mais flexível e um olhar mais profundo. 

Esses dias, você me emocionou quando ao abrir meus olhos espantada pela hora já perdida para o trabalho, disse-me simplesmente: “Eu podia ter te acordado, mas também perdi a noção do tempo ao contemplar sua beleza.”” Eu bela, e logo ao amanhecer? Cabelos desalinhados, lábios e olhos inchados?” “Sim, linda! Assim, lábios carnudos, olhos profundos que eu não canso de olhar a quase 30 anos...” 

Veio-me tantas coisas para lhe dizer, mas fiquei com um nó na garganta... Aconcheguei-me em teus braços e deixei que as horas perdidas ficassem no tempo. Quase trinta anos sim! Conheci o amor quando olhou nos meus olhos! Conheci a paixão quando me beijou a alma, quando me despiu de pudores, quando me fez andar na “corda bamba” por mostrar-me que o céu pode ser tocado se os corações estão na mesma sintonia. 

Houve sim muitos obstáculos em nossos caminhos, destrilhamos nossos rumos, mas os atalhos nos levaram ao mesmo lugar: Nossa vida juntos! Creio que os desencontros fazem parte do aprendizado, e é comum para qualquer ser humano. Somos humanos! 

Inúmeras vezes já te declarei o meu amor, e nunca fui leviana em nenhuma dessas vezes! Leviana eu fui quando deixei de mostrar-te de formas diferentes o que tenho guardado na alma: Uma mistura madura de sentires tal como respeito, carinho, amor, amizade, confiança... Também não poderia mentir, dizendo somente coisas boas, pois em muitos momentos me sinto confusa e um pouco insegura, pois tenho medo que te vás e não me compre uma passagem para o mesmo destino... 

Sinto raiva sim de você! Quando não consegue entender-me, quando teima em não ouvir o que realmente eu quero dizer, mas passa logo, pois sei que você não tem o dom da premonição, e nem de ter as mesmas opiniões que eu [afinal não são os opostos que se atraem?]. Fico chateada quando não percebe que troquei o esmalte “Vermelho Desejo” pelo “Vermelho Paixão”, sinto seu descaso quando não nota que tirei 2 cm do cabelo... Mas te perdoo quando diz que sou linda ao acordar! 

Sei que tenho me tornado mais dengosa, mais carente e isso se deve talvez porque já me sinto órfã dos filhos que criaram asas e querem deixar o ninho. Sou carente de você, de me fazer notar quando está concentrado em seus livros e estudos, de te provocar com gestos sensuais para ver aquele famoso brilho nos teus olhos. 

Você sabe que sou louca e aceita a minha loucura! Sabe que eu busco no arco-íris o mundo colorido  feito pra nós, pois sei que ele existe. Eu sou muitas em uma só e te amo de forma única, estranha, lúdica e misturada, pois o amor é tudo junto e separado: [In]certezas, [des]apego, companhia, amizade, paixão, respeito e por último, definitivamente ele é eterno [mesmo contrariando o poeta Vinícius de Moraes] 

Marly Bastos

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

TANTAS PALAVRAS CALADAS!


Palavras mudas de amor, rolam insistentemente por minhas faces.
E em repertório silencioso,
Convencem apenas minha alma da poesia que há no querer.
Linguagem liquefeita, que sustentam suspiros de tristezas,
Ânsias de um sentimento no peito guardado
Como se fosse um pássaro de asa quebrada,
Que sabe voar, todavia continua ali aprisionado,
Pois lhe falta o mais importante para alçar voo...
A asa? Não... Você!
Meu coração nesse momento é ninho que abriga um pássaro ferido!

Agora a minha mais sincera linguagem do amor
Estão nas lágrimas teimosas
Que brotam do manancial chamado alma;
E o meu maior grito de dor,
Ecoa no borbulhar do meu sangue nas veias,
Ou nos gemidos quase calados na calada da noite.
São os momentos de abstração poética que faz os instantes vividos,
Voltarem como mágica ao presente
E brindar-me com sensações inefáveis, com lembranças tantas:
Num sorriso bobo,
Num olhar perdido,
Num suspiro ao léu,
Num espreguiçar manhoso,
Num soluço sufocado,
Ou numa prece pedindo forças...


Marly Bastos

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

AUSÊNCIA





A alma sorve a saudade,
De coisas que ficou no tempo, sem idade.
Das essências dos cuidados desejados...
Que inquietude nos meus pensamentos deixados!

Meu corpo, açoitado pela ausência dos teus braços,
Que frio na minha pele!
Por que fugiu de mim teus abraços?

Renúncias... Dissabores!
Queria da tua presença os sabores,
A doce ternura que minha lembrança fomenta.
A falta do teu toque suave, agora me atormenta.

Na solidão, meu imo treme,
No veludo negro da madrugada,
Minha alma chora, meu corpo geme.

Não há amargura, mas uma emoção dolorida,
Pela tua ausência, pela presença sentida.
E o espaço tão denso de nada, me faz flutuar,
Tudo querendo, sentindo, e sem nada pensar.

Em um sonho alado, te abracei apertado
Etérea presença nas asas da enorme saudade,
Apaziguando por segundos, o coração quebrantado.

Marly Bastos
PS: Parei de tomar os antidepressivos e resolvi escrever. Prefiro escrever cada verso chorando do que ficar o dia todo parada olhando para o teto e sem emoção alguma. Um dia passa o pranto e o sorriso aflora... 

sábado, 5 de outubro de 2013

SOBRE AS “SOLIDÕES”


Neruda em sua poesia diz que saudade é a solidão acompanhada! [Então a solidão evoca saudades?] É quando o amor que fica quer aflorar.

Há vários tipos de solidão: A consentida, a involuntária [amarga e dolorosa] e a poética...

Dessa solidão consentida, Henri Lacordaire diz ser a que "inspira os poetas, cria os artistas e anima o gênio”. Nesse caso essa solidão consentida é sentida quando nossa alma está cheia, quando queremos ter espaço para transbordar a criação artística, chegar no limiar do espírito e regozijar no” meu eu para o meu comigo”. 

A solidão involuntária é aquela que não nos deixa sentir afinidades, não nos deixa ser cativados por nada e ninguém. Falta-nos amor próprio... Temos falta de nós mesmos. O perigo se faz presente quando se quer alicerçar os sonhos na solidão involuntária, ficamos realmente sós, pois nos enclausuramos na apatia de uma vida sem expectativas e coisas palpáveis. 

A solidão poética, o chamado "eu-lírico" é a que vive muito da solidão formada pela saudade do passado e do desejo que ele regresse ou simplesmente de fantasias vãs [e dolorosas]. A solidão vai se alimentando dos nossos dias, da nossa paz, da nossa alma e por fim do nosso juízo... Chega-se facilmente à loucura poética.

Há pessoas que tem a alma solitária e isso faz parte da sua natureza e essência. E dessa não há prejuízos, pois ela não vive de dores e “ais”, ao contrário gosta de estar consigo mesma, de meditar e se conhecer no imo. 

Solidão... Palavra tão ampla, tão vasta e tão agonizante. E um sentimento que dilacera pouco a pouco quando não é consentido, quando ele se faz algoz de nossas mentes.

Marly Bastos

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

FALTA E SAUDADE SE MISTURAM...


Dilata-se meu coração e comprime-me a alma... Já não conto as horas que passo tentando absorver essa repentina partida.
A falta que ele me faz, dói absurdamente e de forma tão indefinível que não consigo expressar  em palavras, mas em lágrimas e gemidos.
Não, não estou inconformada [pois a vida e morte não nos pertencem] e nem desesperada [pois sei que Deus reservou o melhor para o meu querido], mas a ausência dói... A falta de pequenas coisas e tão cotidianas ferem a alma, e foram nelas que aprendi a amar esse homem de voz macia, de alma boa, de gentileza extrema,  de cuidados [exagerados], de integridade acima da média, maravilhoso marido, bom pai, bom filho [e bom genro]...
O tempo não conseguirá apagar da lembrança esse homem, mas eu sei que Deus em sua infinita doçura irá aplacar a dor e falta que hoje é tão forte que parece dor física.
Sorvo sim toda dor,  derramo todas lágrimas pois fiquei carente das palavras meigas dele, do acolher manso que ele proporcionava, dos cuidados com coisas mínimas. Sei que terei que continuar minha lida, que a vida continua, todavia, o luto dentro de mim é mais forte que todos esses raciocínios tão lógicos!
Um dia as lágrimas secarão, trilharei outros caminhos, buscarei novidades,  e me alimentarei das lembranças tão boas dos 34 anos de convivência. Sentirei saudade tão forte em momentos, que chorarei [ainda que passem anos] e em outros tão suaves [que rirei sozinha...] Afinal o amor é assim, ele é forte e brando... Aliás, saudades não é o amor que fica??


OBS: Agradeço cada carinho que vocês me enviaram, um dia retribuirei cada um, no momento choro por cada comentário, cada telefonema que recebo, cada e-mail... Mesmo aquelas pessoas que não me conheciam deixaram suas palavras que muito me confortaram. Deus abençoe a todos.


quinta-feira, 19 de setembro de 2013


Deus nessa madrugada do dia 19//2013 levou meu companheiro com  30 anos de convivência. A tristeza é tão dolorosa que não há palavras para descrever a perda e nem poesia que possa abrandar o sofrimento.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

PAUSAS...


Muitas vezes necessitamos de ausências, para queremos ser presença...
Então é necessário uma pausa no tempo, um sossego nos sonhos e aquietar a alma.
Pausas desabrocham coisas que estão atravancando a vida,
impedindo-nos de estarmos em paz com nós mesmos.
Afinal a vida precisa ser mais que vivida,
ela precisa ser alimentada de quereres e desejos.
Então vou ali pausar as agruras do coração.

Pause/off
Beijokas doces!

Marly Bastos

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

REORGANIZANDO POSIÇÕES.


Alguém te faz sentir uma pessoa especial, mas esse cultivo com o tempo vai minguando até que se esvai e ai vem o sentimento de que nada é a não ser “o coco da mosca que pousou no coco do cavalo do bandido”! Aí, você tem que agir como se não se importasse, como se nada fosse o que vai na alma...

Você acaba percebendo que nesse momento tem que parar de tentar ser feliz e apenas ser feliz. Para isso é necessário reorganizar as posições que as pessoas ocupam em sua vida, já que é impossível tirá-las do que já existiu. Precisamos dar um passo à frente e começar uma nova história. O que ocorre é que não queremos liberar o passado e temos medo de abandonar o apego das coisas vividas, sonhadas e planejadas. Não queremos que as estradas perdidas se tonem apenas lembranças [que doem]... 

Mesmo não sabendo amar direito, amamos... Isso porque temos um coração no cérebro e outro no peito e os dois são desatinados.  Cada um tem o seu modo de ver as coisas e com certeza na maioria das vezes, não a vemos como são, mas como desejamos que sejam e nelas projetamos nossas fantasias.  O certo é deixar as lembranças dormitarem e para isso temos que reinventar nosso caminhar rumo ao horizonte que desponta. E ele não espera infinitamente nosso catarsear...

Certas coisas mal resolvidas em nossas vidas podem destruir nosso futuro. Não devemos deixar pendências [tal como “ainda vou viver essa história”, pois ninguém vive o mesmo momento mais de uma vez]. A saudade vai deitar nos momentos nostálgicos, mas ela pode ser transformada em sonhos, em lembranças não doloridas, pois a vida segue! Afinal, "O moinho já não existe; o vento continua, todavia."[Van Gogh]

Marly Bastos

domingo, 1 de setembro de 2013

DEDILHANDO A DOR.

Aurea Seganfredo

Uma lágrima em cada acorde,
Cada acorde um gemido,
Em cada gemido, melodia,
E na melodia, sigo cantando.

Cantando eu disfarço,
A dor no olhar cansado...
Dor que me é canção,
Canção, que afoga meu pranto,
Pranto que banha minha alma,
E na alma vou dedilhando.

Dedilhar que fala o que sinto,
Suave sinfonia chorada,
Chorando rimas de amor,
Em cada corda tocada...

Toque desesperado na corda,
Uma a uma, arrebentando,
Assim flui a harmonia que acorda
Da canção que vou compondo.
Por um amor que gerou dor...
Assim nasce a canção de amor?

Marly Bastos



sábado, 31 de agosto de 2013

REVERTRÉS


O sonho, o inexistente, queria não mais lembrar,
Seguir meu caminho, sem rastro deixar.
Tudo era procura, busca ilógica e irracional,
Segui emoções de uma história irreal.

Ignorei o mundo, tempos e espaços.
Indiferente segui... Levando e deixando pedaços,
Fragmentos de uma vontade solitária de amar,
Sustentando um voo sem rumo, sem pensar.

Longe (da dita realidade) o frágil coração ardia,
Queimava no peito uma vontade dolorida, repentina...
Nostalgias... Turbilhão em plenitude tardia.

Por muito tempo afoguei-me no âmago do nada!
Até que um rebento de luz, luziu no infinito,
Tecendo uma nova aurora bem-amada...

Marly Bastos

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

AMADO, DEIXE-ME SER...

Foto da web
Deixe-me beber dos teus beijos amado!
Enquanto neles saciar minha sede,
Refrigério terei nesse oásis-paz.
Deixe-me mergulhar nos teus olhos amado!
Na profundidade deles, sou de tudo capaz...

Deixe-me ficar em teus braços amado!
Enquanto estiver neles enlaçada,
Sou pra sempre tua.
Deixe-me dormir no calor do teu corpo,
Enquanto aquecida por ele, 
Minha alma não estará nua.

Deixe-me repousar na tua mente amado!
Ela me fascina pela sagacidade e ternura,
Deixe-me dançar no teu ritmo cordial,
Enquanto nele embalo, provo da tua doçura.
Marly Bastos

terça-feira, 27 de agosto de 2013

DES À BAFO... [ A semana vai ser punk, por isso estou desacelerando um pouco, mas volto antes de sentirem saudades


Passo a passo, passo não sei por onde, seguindo meu caminho que não tem rumo,
procurando não sei bem o quê...
Chego às vezes, não sei onde  e me pego amando não sei quem.
Esquecer? Talvez, mas nem sei quando. Ando chorando por tudo e nada,
sofrendo por sofrer...
Seu nome só sussurro para o vazio,  pois cada vez que o murmuro,
sinto que meu coração embriaga.  Meu desejo não tem lugar para morar,
sobrevive do ontem, mora numa casa infecunda,  e na agonia presa. 
Essa saudade que dos meus olhos escorre, é por causa do ultimo adeus que me fez
sofrer tanto...  Quer saber??  Se me quiser de novo,  vai ter que beber do meu pranto!

Marly Bastos

domingo, 25 de agosto de 2013

UM CERTO OLHAR MAIS APURADO

                                            Foto da Web

Certas reflexões são como uma bússola que levam nossas lembranças ou mesmo nossas esperanças para várias direções... E nesses momentos necessitamos de uma dose de humildade e contrição, pois não há como desengavetar sentimentos arraigados na alma, sem reconhecermos que podemos ser melhores do que temos sido; que optar por mudanças vai fazer toda diferença (embora às vezes resistimos à essas mudanças); e que toda flexibilidade dos nossos sentidos fazem-se necessários para metamorfosearmos os sentimentos, pensamentos, e conhecimentos até o fim da nossa vida. 

Roberto Shinyashiki diz que "Na simplicidade aprendemos que reconhecer um erro não nos diminui, mas nos engrandece, e que as pessoas não existem para nos admirar, mas para compartilhar conosco a beleza da existência." Com o tempo descobrimos que a sabedoria na maioria das vezes está em calar e não em deslancharmos nossas verborragias e ações como demonstrações de "sabidices". Descobrimos que pedir perdão, abre portas já fechadas, que um elogio refrigera a alma de quem o ouve e engrandece quem o lança. Com o tempo tentamos fazer as coisas de maneira diferente, embora nem sempre conseguimos, pois a nossa natureza é por si mesma malévola, e nos pegamos em flagrante às vezes , fazendo exatamente aquilo que condenamos. 

Reflexões que atingem nossos sentimentos deixam nossa alma assim nua e exposta. Descobrimos que somos feitos também de inveja, raiva, contendas, revoltas, murmurações... Descobrimos que magoamos pessoas, e de alguma forma, com consciência que fazíamos isso (mas, era o melhor pra nós...). O início de tudo é nos perdoarmos, pois quando erramos, raramente o fazemos por gosto, e sim por desconhecimento ou falta de discernimento...

Por vezes é necessário fazer essa viagem inusitada para dentro de nós mesmos, reconhecendo nossos erros, pecados, enganos e desenganos. Na vida é natural cair, mas é essencial levantar sempre, sacudir a poeira e dar a volta por cima. É necessário coragem para fazer uma retrospectiva, aonde vêm à tona muitas revelações, dando-nos entendimento que para sermos um pouco melhores, temos que efetivarmos verdadeiras mudanças e desafiá-las a se desinstalarem da nossa existência, pois somente assim podemos vencer o jogo da vida e essa natureza tão (des) humana que temos.

Marly Bastos

sábado, 24 de agosto de 2013

NEM TUDO QUE PARECE É!



Estava sozinho e sem nada pra fazer naquele lugar. Não havia sequer um morador naquelas redondezas e então resolveu tomar um banho no rio. O rio era tão extenso que não era capaz de ver a margem contrária, a água morna e convidativa o fez brincar como criança e depois ficou boiando deixando as ondinhas brincarem com ele como se fosse um barquinho perdido.

Esqueceu-se de tudo ali solto sobre as águas e quando virou a cabeça, percebeu que a margem do rio estava muito longe, então desesperado começou a nadar, nadar e nadar. Mas a correnteza não o deixava avançar rumo à terra firme.

Angustiou-se ali, sozinho e sem ter pra quem pedir ajuda. Nunca lhe pareceu tão aterrorizante a solidão... Num ritmo frenético continuava a nadar. Seus músculos começaram a ter câimbras por tantos esforços, a cabeça doía e os olhos começavam a ficar turvos.

Lutara até o ultimo segundo, porém agora não tinha mais resistência e decidiu sucumbir à morte. Amoleceu o corpo e parou de se debater contra a correnteza. Sentia o corpo afundando até que o joelho dobrado bateu na areia do fundo...

Levantou-se meio espantado, pois a água batia-lhe até a cintura e não mais. No desespero do momento não teve a ideia de conferir a profundidade, apenas calculou que deveria ser fundo por causa da margem distante. Como dizem, “nem tudo que parece é...” E não foi dessa vez que morreu.
Marly Bastos


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

PASSARINHAR VOOS

                                                 

Algo vibra dentro de mim, como vento nas montanhas...
Tenho que respirar fundo para poder sossegar a alma. 
E nesse momento,sinto o vento de desejos tão profundos
 visitar a mansidão da minha existência.
Flutuo num indescritível voo que vai além 
de sentimentos rasos,
um quase medo de perder o que só repousa nas vontades,
como um passarinho que por não ter onde pousar,
repousa na sua mão por uns instantes, 
 e alça voo sem volta...
 
Como eu gostaria de voar com o passarinho!
Que vontade de passarinhar!
Tal qual como diz Cecília Meireles:
“Liberdade de voar num horizonte qualquer, 
liberdade de pousar onde o coração quiser.”

Que vontade de voar com o passarinho!
Sem correntes que prendam meus pés, 
sem pesos que aniquilem minhas asas.
Quero passarinhar seu amor nas alturas das nuvens,
 e nos recônditos do céu e pousar no teu ninho de amor.

Que vontade de voar com o passarinho!
Mas ele nem sequer sabe pra onde migrar!
 Ele só quer voar.

Marly Bastos

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O DÓ DISPENSÁVEL...


O crocodilo quando está devorando suas vítimas chora copiosamente [quanto mais gostosa ela estiver, mas lágrimas]. Esse é o tipo de dó dispensável para a vítima. O dó que dura pouco visto que os interesses falam mais alto.
Encabulava-me a dor que minha prima sentia ao ver sua mãe matando uma galinha para o almoço. Ela acocorava perto da galinha agonizante e gemia, gemia e gemia. Lágrimas e soluços eram em abundância, todavia bastava ouvir o refogar da “pobrezinha” na panela que logo pedia para a mãe dar-lhe o fígado para provar... Esse é o dó dispensável pra galinha mortinha.
Já minha filha jamais comia carne de aves, pois tinha muito dó da pobre galinhazinha que morreu pra gente comer. Mas sempre pedia pra fazê-la ao molho, pois ela adora  [ainda] deixar o arroz bem molhadinho dele... Ué, mas o caldo não é feito da carne da pobrezinha???
E minha sobrinha, só come carne de boi [no açougue é difícil definir de quem é a carne]. A vaquinha não pode morrer, pois dá leitinho gostoso pra gente... E por acaso o boi é imprestável?? Se bem que ele não dá leite... E meu pai quando criança matou onze porquinhos porque ficou com dó de vê-los tão feios e magros no meio de uma vara gorda e saudável. Penso que os porquinhos feinhos dispensavam com gosto esse dó da feiura deles e preferiam continuar vivos.
Fico pensando quantos dós dispensáveis temos nessa vida? O agasalho que amarela na gaveta e sempre sentimos um aperto no coração ao ver aquele menino quase despido e no frio de trincar, bem ali na esquina, mas o agasalho continua na gaveta e já nem serve para ninguém da casa... Ou os sapatos que mofam guardados, ou os cobertores que apenas aquecem o guarda-roupa, ou as frutas e verduras que perdem na geladeira [enquanto muitos passam fome e vontade de comer algo...E a gente com tanto dó dos famintos. ]

Dó é o sentimento que é exprimido por um misto de pena, pesar e repugnância em relação a algo. Quando verdadeiramente sentido tem poder de mudar situações... Um dó que nos constranja a agir com veemência, com amor, com comiseração. Um dó que vá além de palavras e ações vazias. Não, eu não falo do dó da minha prima, filha ou sobrinha, pois essas eram ou são crianças, mas o exemplo vale para descrever o dó dispensável do adulto... Vamos repensar o dó social?

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

E A FAMA FICA PRA QUEM???

Falando ainda em lentes de contato...[Em um tempo já distante]

Um amigo meu (e olha que não é pessoa ignorante, mas teve seu momento...) resolveu aderir às lentes de contato e claro recebeu toda instrução de higienização e conservação dada pelo oftalmologista. O médico recomendou que as lentes deveriam ser fervidas ao menos uma vez por semana. Aconselhou-o a comprar uma panela de vidro e marcar 10 minutos após a fervura (a panela de vidro era para enxergar melhor o momento de ebulição da água...Para homens isso se faz necessário).

Ele comprou a panela indicada e após uma semana foi fazer a necessária higienização... Colocou água filtrada na panela, levou ao fogo e ali mesmo tirou as lentes [diretamente dos olhos] e jogou dentro da panela. Esperou a hora exata da ebulição da água, contou os 10 minutos de fervura recomendados, desligou o fogo, esperou esfriar a água e foi retirar as lentes...

Ainda me acabo de rir quando lembro dele contando que esterilizou a mão com álcool e vagarosamente procurou as lentes. Não as achou, apenas havia dois carocinhos pregados no fundo da panela. “PUTZZZZZZZ ERAM MINHAS LENTES, DERRETERAM E COLORAM NO FUNDO DA PANELA”! Assim ele contava o drama, e colocava as duas mãos na cara! Ele não acreditava que tinha feito aquilo! Claro, era para ele ferver as lentes que deveriam estar dentro do recipiente (inclusive cada lente dentro do compartimento correto conforme o grau ajustado à necessidade visual do olho) e aí sim, colocado dentro da panela...

E Depois, a fama (nem vou dizer qual, todos já sabem) fica pras as loiras!


Marly Bastos

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

CONJECTURAS


Quanto mais vivo, mais morro!
Assim, a vida vai passando,
No passar do tempo,
E o tempo se acabando!

Ás vezes a tristeza vem,
E logicamente a alegria vai...
Mas se faço do amor um refém,
As agruras da alma sai!

No duplo sentido da palavra liberta,
Não vejo sentido nenhum.
Real, é somente a realidade incerta,
Vida que só contempla algum.

A marca de cada encontro,
Nos encontros sem hora marcada.
A vida vazia no vazio pronto,
Viva esperança, com a morte atrelada!

Marly Bastos

terça-feira, 13 de agosto de 2013

TALVEZ OUTRA CANÇÃO...





O sol se pondo, solene bronze parecia,
O mundo aos meus olhos, todo virado,
E a tarde ferida, esmaecer queria...
Uma agonia pasma... Tudo desorganizado!

Desbotadas lembranças surgem de repente:
Estrelas, flores, juras... Parecia sentimento infindo
Música de silenciosa malícia: ritmo quente, ardente,
A dor antiga, já não dói... Liberdade anda pedindo.

Tira de mim tuas unhas, dentes, e gemido sonoro,
E não venhas saciar em mim, seu alucinado cio sem dó
Pois, por sua picante sedução, já não imploro...

Quero silenciar as meias palavras onde dizíamos tudo,
Quero esquecer a sinfonia do prazer, que era sem limite...
Sufocar a memória do proibido, antigo cúmplice mudo.

Marly Bastos

domingo, 11 de agosto de 2013

COISAS SIMPLES PRA SE VIVER.



Tem dias que não preciso de muita coisa pra ser feliz, basta receber um telefonema da pessoa amada e pronto, meu dia se ilumina. E se esse telefonema for para me fazer uma declaração de amor, então meu gozo está completo.

Tem dias que eu somente quero um cafuné demorado, até eu dormir, ou às vezes meus dedos querem estar na cabeça amada, fazendo a mesma coisa até que ele relaxe, desmanche aquela ruga linda de tensão bem entre os olhos. Adoro carinhos nos pés, mas ele morre de cócegas, e por falar em cócegas, às vezes pra relaxar, é bom se encherem delas, até sentir cansaço de tanto rir.

Tem dias que eu não me entendo, mas ele me entende. Se estou emburrada ele tenta tirar a bronca; se estou brava, me desarma. Faz pirraça e piadas sem graça, tira-me o sossego, ri das minhas neuroses, mas conhece o limite que deve ir sem correr o risco de morrer. Ele é capaz de perceber que algo está errado sem eu nada dizer, ou mesmo por apenas uma palavra escrita via sms...

Tem dias que eu sinto a presença da pessoa amada, mesmo ela estando longe, pois mesmo longe, está ao meu lado sempre que preciso, através de uma sintonia inexplicável, de um elo indefinido e forte. E é tão bom quando ele chega, e surpreende-me com um longo beijo, com um doce olhar, com paparicos, mimos, carinhos e um vinho pra relaxar.

Tem dias que eu e ele só queremos amar, não sair da cama, viajar nas doces asas da paixão, ouvir “eu te amo”, comer macarronada pra não perder tempo na cozinha, ver um filme agarradinhos, e assim ficar como se a vida fosse um mar de rosas e nós apenas o perfume exalado delas.
Marly Bastos

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

GUARDIÃO DA MINHA AUTOESTIMA


Falas que tenho cara de menina, mas são teus olhos, eu creio. Embora eu procure conservar a criança que tenho em mim. Estás sempre alerta à campanha para convencer –me que sou uma mulher maravilhosa e me dizes isso cem vezes! Adorável homem és tu. Deixas-me à vontade contigo, digo o que me vem à cabeça, sem medir palavras. É que eu em tua companhia sou toda coração e nada razão!

És muito comedido, sempre pisando com “sapatinho de veludo”, te solta devagarzinho e mesmo assim com certa reserva. Gosto disso! Essa tua personalidade é do meu jeito: Gentil, cavalheiro, sagaz, inteligente, bem humorado, sem pedantismo... Ah! E outras coisas mais.

Sei que a campanha é pra levantar a minha autoestima baixa, mas és tão magnífico que não consigo somente receber a massagem no ego, quero compartilhar, pois somos movidos à carinho, atenção, elogios... Que tal uma dinâmica nessa prosa? Quero as tuas doces palavras, e deixe-me adoçar teus ouvidos também... 

Teus elogios deixam-me mais doce! Para ti sou doce por natureza, embora às vezes os problemas me fazem esquecer isso. É... A vida nos faz esquecer muitas coisas sabia? Eu sou meio menina e muito romântica (a minha menina interior esta um pouco calada ultimamente). Você com seu carinho, suas brincadeiras, seus galanteios sempre a acorda e a traz à tona. Quando não te tenho por perto, extravaso meus sentimentos escrevendo muitas poesias [que na maioria das vezes vão pra lixeira] . Tens razão em dizer que a criatividade é minha válvula de escape, e que escrevinhar arrefece-me a dor.

Sou exagerada em tudo! Sinto demais, sofro demais, amo demais, fantasio demais. Tenho certa sensibilidade para balancear isso, é verdade, pois tenho a sensação de que minha vida escorre rapidamente por meus dedos. Sou louca e poeta e concordo contigo que viver esse “catatau” de emoções é para poucos. Ensinaste-me que o segredo é lidar com a vida pensando no presente, não divagar muito sobre o futuro e não arrepender e nem se amargurar com o passado. Como dizes tu, sou uma louca ritmada com a poesia.

Às vezes a vida cobra muito, e tu és o que me acalma e me dá alento. És minha nota harmônica, meu melhor poema, meu sol no entardecer... És quem me dá um pedacinho de chão, quando preciso de terra firme; oferece-me um bocadinho de céu para eu sonhar minhas nuvens; quem me permite ser nuvens para os teus devaneios. 

Enfim, você engrandece-me o espírito, preenche o meu coração, coloca o riso em meus lábios e a poesia em minhas mãos. Fazes-me tão bem! Preciso-te como uma droga que provoca meus risos, alivia minha alma da dor, e faz as meninas dos meus olhos dançarem brejeiras e alegres.

Queres um livro das minhas palavras? Para ti sou livro aberto e escrito com tinta cordial vermelha, pulsante e quente. Em teu regaço sou vernáculo fluído, gostoso, simples e refinado ao mesmo tempo. Tenho alma transparente, e isso é motivo da minha credibilidade e por vezes, motivo das minhas dores...

Marly Bastos

domingo, 4 de agosto de 2013

APENAS PALAVRESIAS

                               
Ah por que essa poesia não se cala dentro de mim?
Será que é porque sou o que ela fala?
Ela às vezes parece um arranhão na alma,
Ocorrido ao acaso, pelo teu pouco caso.
Parece ser o regresso das minhas emoções,
Onde embevecida, caminha por entrelinhas...
Do meu riso e pranto.

Que sina é essa de dar vida às palavras?
Tirar da pele a tinta,
Dos poros a emoção,
Do sibilar do vento a cadência!
De você extraio o desejo vertente
E da emoção o respirado gosto...
Sob o teu olhar de puro algodão,
Traço o verso na batida ofegante do coração
Por onde sôfrega o gozo.

A vida da minha poesia não é minha vida.
Nem meus sonhos,
Nem minhas histórias,
Nem minhas lembranças,
Nem meus esquecimentos.
Nem tampouco meus (des) amores .
Minha poesia, sou eu...

Tenho uma verborragia despida de medo das ideias
E vestida de coisas sinceras.
Minha poesia são as palavras caladas em mim,
É a minha ânsia de viver além da minha grande rotina,
São os meus valores que transcendem os meus sentidos.
Essa poesia que não se cala dentro de mim,
É meu precipício por vezes,
É meu descaminho por ocasião,
É o meu coração com asas.

Marly bastos

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

DESASSOSSEGO


Prendi o meu grito de amor, e me calei.
Abriguei-me num afeto entristecido...
Diante da minha dor, eu vacilei
Na imensidão do meu desejo contido.

Quando a lágrima desceu , eu menti,
No peso das ideias sem sentido,
Seu desprezo me enfureceu, e a cara escondi.

Nem mais da minha boca é o esgar,
Nem do meu pranto é o chorar...
Sou apenas a ânsia de saber quem sou,
Herdei somente o beijo que acabou.

Chorei e chorei, lágrima adormecida:
Acordada fiquei numa dor sem fim...
Esqueci por momentos da triste vida.

Meu coração entristecido bate,
Num ritmo de despertador,
Meu sonho inquietante,
Cutucando minha dor...

Assim, minhas divagações vou conduzindo
Vivendo no dormir acordado,
Em um desassossego infindo...

Marly Bastos

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

UMA ÓTICA PARA UMA NOVA VISÃO

A tecnologia óptica avança em ritmo louco. Ainda me lembro de quanto surgiu a lente de contato. Coisa melhor não havia... Uma bela oportunidade para aqueles que se sentiam escravos dos aros e lentes, e que dos benditos óculos dependiam no dia-a-dia. Lentes de contato! Maravilha do século (pode parecer exagero, mas quem tem que usar óculos sabe o aborrecimento que é pra executar certas tarefas). Até para tomar um café com essas lentes externas é complicado, pois embaça tudo; o uso constante trazem olheiras , afundam as órbitas e escondem uma verdadeira mirada...Bem há inconvenientes diversos, isso é fato!


Artur era uma dessas pessoas que sabia dos inconvenientes que os pesados óculos traziam e resolveu que ia incorporar essa fabulosa tecnologia à vida dele. Afinal, por 23 anos ele escondeu o verde esmeralda dos olhos e era tempo de mostrar ao mundo o que a natureza tinha proporcionado de melhor pra ele.

Marcou consulta, fez exames, e foi constatado que ele tinha rejeição ao tipo de lente oferecida pelo mercado brasileiro. Tinha que ser importada! Mais uma vez ele foi ao fundo do saco, e buscou todas as economias pra encomendar as lentes. Esperou “séculos de ansiedade” por essas lentes. Parecia que vinham amarradas no casco de uma tartaruga.

Finalmente chegaram as lentes de contato! Foram feitos os ajustes, e os óculos foram para o fundo da gaveta. Artur agora era outro homem, parecia que tinha emagrecido uns cinco quilos depois que colocou as lentes. Agora não era mais “aquele rapaz de óculos” e sim “aquele moreno dos olhos verdes!”

Até a ex-esposa do Artur, gamou por ele de novo. Estava sempre “esbarrando” com ele sem querer. E ele sempre fora apaixonado por ela. Separaram sem quê e nem pra quê. Agora ele achava que eram culpa dos óculos. E porque não tentar de novo? Afinal, ele agora era outro homem, todavia com os mesmo sentimentos por ela. Resolveram tentar.

Combinaram de saírem para jantar. O jantar foi fabuloso por sinal! Olhos nos olhos... Acabaram num motel. E Artur viu que as lentes de contato foram de todos, o melhor investimento da sua vida! Debaixo do chuveiro, podia ver as gotículas de água escorrendo pelas costas da mulher amada; na hora do amor pode ver o prazer dentro dos olhos dela (antes era tudo embaçado, já que tinha que tirar os óculos). Via tudo... Os pelinhos finos e dourados das pernas! Demais... Tudo era visto nos detalhes!

Estava tão bom que resolveram pernoitar ali mesmo. A mulher cansada dormiu logo, e ele despreparado, não sabia que iria ficar ali, resolveu colocar as lentes em um copo com água (não se podia dormir com as lentes, pois irritava os olhos). Não era o correto colocar as lentes na água [deveria se no soro fisiológico], mas era o que podia fazer no momento. Satisfeito com a vida, virou pra um lado e dormiu profundamente.

Acordou bem disposto, com um sorriso nos lábios e sentiu a presença quente e amada da ex. Tudo embaçado... Mas isso se resolvia facilmente e poderia novamente ver toda beleza que a mulher tinha. Pegou o copo e foi pro banheiro... Ficou estarrecido!
O copo estava vazioooooooooooo! O coração parou! Tudo girou! Cadê as lentes de contato??? Cadê meus olhossss?????

Volta trêmulo para o quarto e pergunta: -O que houve com a água que estava no copo em cima da cômoda???
Ela com voz amorosa e lânguida responde: -Bebi amor, acordei com sede e achei que tivesse deixado a água ali pra mim. Obrigada!

O sangue faltou... Depois, uma erupção de ódio, revolta e descrença. Não queria mais vê-la! Odiava agora aquela mulher! Havia levado dele a boa visão, aquela noite custou-lhe realmente os olhos da cara!

O mundo estava agora embaçado outra vez. Com custo chegou em casa depois de deixar a EX NA CASA DELA. Buscou no fundo da gaveta os velhos aros, que pareciam pesar uns cinco quilos no mínimo. Amargamente pensava: ex é ex... E ele agora era o ex “moreno dos olhos verdes” e passava novamente para o “rapaz de óculos”.
Marly Bastos