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domingo, 5 de agosto de 2012

AMIZADE ETERNA.


Para alguém que conquistou minha amizade para sempre, e que hoje me faz chorar de tristeza pela sua eterna partida... Ahhhh amiga, era só aguentar um pouquinho mais que ela talvez desistisse de te levar...



É tão fria e sem cor
Essa hora devida em dor!
Um voo se fez sem cautela
E a morte se pôs sentinela!
Levando-na ao seio da eternidade,
Deixando um vendaval de saudade,
De alguém que era pura vida,
Sem medo de qualquer lida...
Nela, a palavra era dia,
E sua amizade , poesia...

Esse texto abaixo, foi escrito a minha querida amiga Andreia Maria, que ontem deixou essa vida e que a pouco mais de um ano atrás me deixou completamente sem chão ao me contar que estava doente... Dia 04/08/20012 sucumbiu à morte. 
E EU ACHANDO QUE MINHA GALINHA ESTAVA MAGRA!

Há um ditado que diz assim: “ A galinha do vizinho é sempre mais gorda que a nossa.”... Fico pensando se realmente é. Esses dias encontrei uma amiga que a muito tempo não via e como sempre, a encontrei sorridente, astral maravilhoso, cheia de energia, linda e elegante. Tudo que uma mulher gostaria der ser, está caracterizado nessa pessoa.

Conversa vai, conversa vem e ela e disse que estava afastada do trabalho por motivos de saúde. Procurei com os olhos indícios de algo errado com ela e não encontrei nada aparente. Seria um problema psicológico? Com aquele sorriso maravilhoso, olhar brilhante e super animada... Não tinha condições de ser também.

Perguntei se ela gostaria de me contar o que se passava com a saúde dela, e a resposta que obtive foi: "Amiga, estou com câncer no cérebro, metástase sabe?" Fiquei com os olhos arregalados diante dessa resposta, um nó na garganta que fez um barulho enorme quando engoli em seco. Fiquei sem chão. Confesso que somente esbocei um som inexprimível e depois, reticências da minha parte. Não sabia o que dizer diante do que ouvi. Ela percebeu é claro! Segurou em minhas mãos, me olhou nos olhos e concluiu: “A vida é preciosa amiga, não sabemos quando ela vai ser interrompida, mas quando estamos diante da morte e com os dias contados, o melhor é não perder tempo lamuriando o destino. Pra mim, a vida é uma dádiva de Deus. Ele a deu e Ele a toma quando quer.” 

Mesmo assim, diante de tudo que ouvi, o nó na garganta continuava apertado.Levantei da mesa onde estávamos tomando um café, me despedi e saí meio anestesiada. Tudo bem, Ele leva quando quer, e é certo que um dia iremos embora também dessa vida, mas pensar nisso causa um desconforto.Não estamos preparados para a finitude da existência. Eu creio na tricotomia do homem, que ele na verdade é um espírito, mora dentro de um corpo e possui uma alma. E o que na verdade padece é essa casa em que moramos... Mesmo assim não posso dizer que é fácil aceitar isso.

Câncer no cérebro? Quem foi que disse mesmo que a galinha do vizinho é sempre mais gorda? Decididamente a galinha do vizinho às vezes é bem mais magra que a nossa, e não notamos que a aparência opulenta fica por conta das penas. Temos a tendência de achar que os nossos problemas são maiores que os dos outros, que a dor em nós é mais intensa e que nossa tristeza é mais profunda. 

E eu que tinha saído aborrecida de casa, achando que a vida não tem sido boa comigo e que Deus parece que me esqueceu... Por qual motivo mesmo é que eu estava me lamuriando tanto da vida e questionando Deus???

PS: Notei que minha galinha anda bem gordinha!!!!!

Marly Bastos

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O AMOR É IMPREVÍSTO


O amor é atrevido, enxerido.
O amor é pedaço, que busca complemento.
Ele é improviso, vem sem avisar.
O amor é fato!! Mas, é inexato.
Às vezes é chegada, outras partida.
Ele é busca e achado.
Amor é mais que amizade ou paixão,
Amor é profunda dedicação,
É um vínculo afetivo imutável e intenso.

O amor subjuga vontades e o querer sensato...
Aí, ele é confusão,
Conspiração,
Intuição
E doação.
É caminho, é perdição...
Amor, sentimento contraditório:
É mais que um, é comum.
Amor é fusão e ao mesmo tempo solidão...
Amor é sem razão, totalmente coração!!!
Marly Bastos

segunda-feira, 30 de julho de 2012

ALMA NUA


Caladas e presas na garganta,
Estão minhas palavras não ditas,
Que o coração mansamente canta
Delírios das minhas razões (in) finitas,
No peito ainda há um mormaço,
Sentimentos contraditórios do “faço ou não faço”

Há um frio na alma nua,
Medo das idéias insanas,
Que o psicótico espírito insinua,
Coisas guardadas, embotadas... Servis e soberanas!
Sentimentos, impressões, idéias que se desfiam
Não são fatos e nem fotos, apenas memórias tiranas!

Procuro lembranças, desesperadamente
Não lembradas... Paradoxalmente, não esquecidas
Pelo tempo, embaçadas na mente
E na multiplicação dos dias perdidas.

Ah! Esse amor vivido em mim!...
Foi de todos o que menos conquistei,
Nenhum foi assim: Dono absoluto entre o além e o fim!
E por medo da entrega, também não me dei.
   E por tantos desencontros, me cansei...

Marly Bastos








sexta-feira, 27 de julho de 2012

PALAVRESIAS E LUZ NO PAPEL!



O Ricardo do blog “Luz no papel: Spiritualy Art Science", lançou um convite para que fosse feito um post sensual ou erótico em uma das suas gravuras e eu [como não sou de mijar pra trás] aceitei o desafio e fiz o texto... Acho que ficou maravilhosa a postagem. O texto não tem o teor dos outros que usualmente eu crio e faço postagem aqui no "Palavresias" e por isso, decidi que não iria fazer a postagem simultânea  ou compartilhada desse texto no meu blog, mas para quem queira conferir a parceria aí vai o link:
Não se arrependerão em fazer uma visita ao amigo Ricardo, que tem um blog todo colorido com imagens gráficas pra lá de criativas [e ainda tem o meu texto...]

quarta-feira, 25 de julho de 2012

A TRISTEZA DA MORTE VIRTUAL... [repostado]


            





Percorro com os olhos e não encontro aquele amigo querido na minha lista de contatos. Sumiu. Escrevo uma mensagem, digito o endereço de e-mail (sei de cor), envio, e ela volta. Insisto, mas ela retorna. Onde foi parar você? Que motivos lhe dei? Que motivos teve? Cadê aquelas mensagens lindas, carinhosas, alegres e até engraçadas? Não significou nada aqueles diálogos agradáveis, aquele partilhar de textos, e até mesmo risos e sonhos!!?... 
 
Talvez na fragilidade da comunicação virtual, na deficiência de alguma pontuação eu tenha interpretado mais do que foi escrito. Afinal cada um lê o que quer, o que lhe convêm e o que seu coração anseia. É... Talvez eu possa ter lido mais do que ele tenha escrito... Tenho que interpretar melhor o teclado!!! 

Essa amizade virtual é um laço feito de chita, pois apesar de colorido e alegre, é frágil. É uma amizade que entra e sai das nossas vidas cibernéticas sem motivos aparentes, sem ao menos lembrar que do lado de cá há um coração que pulsa. Somem da nossa tela do computador e das caixas de mensagens como se fôssemos “spans” e com um “delete” saímos da sua lista de contados...Fui de certa maneira descartada. Vêm lágrimas de tristeza...

Tento sempre me consolar com suposições quando um amigo some: Será que está doente? Ficou por algum motivo sem net? Formatou o computador e perdeu meus dados? Está deprimido? Viajou de última hora? Esta com artrite ou tendinite e não pode digitar??!! Morreu e ninguém me avisou?  Cadê meu amigo virtual???? Estava aqui dentro... Será que voltará ou se foi pra sempre?

Os dias passam e vem a raiva! Vou excluir tudo dele, pois não fiz nada e ele não teve consideração. Depois vem a mágoa... O carinho não era recíproco, a amizade era mentirosa. Foi sem se despedir, não se lembrou de mim.
O mundo virtual apesar de maravilhoso, tem a sua parcela [grande] de futilidades e efemeridades. Aqui conhecemos pessoas incríveis que nos cativam pela inteligência, carisma, humor, alegria, zelo e até mesmo fidelidade. Por outro lado há o contrário disso tudo, alguns fazem uso das pessoas como se fossem fantoches para fazer suas catarses e nem tem a sensibilidade de descobrir que existe vida além-tela.

Sinto-me às vezes impotente diante da imensidão e do anonimato da net! Deparo-me com a realidade de quão frágeis são os laços virtuais [claro que toda regra tem exceção]... O laço é frouxo, desata com facilidade. A sensibilidade da sintonia humana fica facilmente machucada e nessa limitação de argumentos, a amizade adoece e por fim vem a morte virtual. 

O amigo se foi. Talvez não volte mais, ou talvez volte. Se voltar, talvez o laço possa ser apertado novamente, mas o certo é que a fragilidade dessa ligação virtual é grande. Não vale a pena guardar o rancor, mágoa ou dúvida. O laço virtual só vale a pena se fizer diferença na vida de alguém, pois o prazeroso é receber uma mensagem [por pequena que seja] e esta, fazer o nosso dia melhor.
                                                      
    Marly Bastos

terça-feira, 24 de julho de 2012

TENS-ME ASSIM...[repostado]


          Quando te conheci, pulei nua do penhasco só para adquirir asas na queda e poder mostrar-te que o amor é entrega, é confiança e sonho. E é sonhando que temos felicidade, pois o homem sem sonhos tem o coração petrificado. Soprei toda minha alma fresca em sua direção para mostrar-te que em mim encontras o oásis que precisas pra saciar tua sede de viver  e banhar teus mais puros desejos.
         Tua presença está refletida em meus olhos, fundida às minhas Iris, presa nos meus poros e calada nas minhas palavras. Tão constante e incessante essa vontade de te ter por perto! Mentalizo esquecer-te, busco desviar me de pensar em ti. Mas ao sentir tua presença ficar etérea e a escapar-me pelos dedos, pelo corpo e pela minha alma, eu refaço sua imagem e traço-te novamente em minhas lembranças.
         Estas preso a mim... Basta observar que estou tatuada em teu olhar displicente e que sou a música que fez para o teu silêncio. Sou a febre que te devora a pele nas madrugadas insones, quando a “dor de Camões" te assalta o imo, e faz-te suspirar ao pensar em mim.
         Sei que não sofres por aquilo que não tens, todavia sei que desejas provar tantas outras vezes aquilo que para ti foi manjar dos deuses e que te fez passear nas nuvens, engolir um bocado de céu, cintilar nos olhos as estrelas do infinito e voltar a terra num pedacinho do paraíso.
         Eu às vezes me esquivo, me escondo, sinto-me sem saída... Mesmo assim você me tem! E tem-me tanto, e em tudo que quase não preciso de mais nada... Quero a minha pele na tua, quero apenas que tenha lua e que na luz difusa me descubra nua (de medos, receios e culpas). Quero carinho, respeito, conversas depois do amor e cotidiano. Quero enfim, que me dês em flores e beijos o que eu tomo por coração cheio de amor!
                                                                               Marly Bastos

segunda-feira, 23 de julho de 2012

DE TI, QUASE TUDO...



Em ti, adoro essa beleza interior
O apimentado do exterior...
Um misto de erotismo e poesia
Versos de tudo aquilo que gostaria.

Contigo uso imaginação, intuição e vontade!
Erótico sim, todavia com pureza e sensualidade.
Mulher fascinante... Quer na mente, ou no apimentado.
A concepção em forma feminina do que tenho desejado.

Conheces a expressão: Lady à mesa....
Assim quero-te: Mulher acesa.
Personificação daquela que eu venero,
Lábios que dão arrepios, e que eu quero.

Porque tens TUDO em abundância com certeza,
Rendo-me a uma Mulher assim: pecado e pureza.
Com cabeça, tronco e membros (e coração)
És um apetite, farto banquete de tentação!

Contigo, tento cultivar o ritmo que me lança;
Usar metáforas que a intimidade avança.
E na imaginação, criatividade e cumplicidade
O atiçamento cultural é gozo em totalidade.

Gosto de ti, adorável criatura, desejo ambulante...
Que me percorre as veias em velocidade alucinante
Atiças em mim uma fogueira de inefáveis sensações
Fremo, diante do queimor interno, “fogo de Camões”.

Sinto algo indizível, não sei se o conheço.
Volto... Repito as coisas do começo!
Quero que afaste de mim o cálice de fel,
Quero que me embriagues com os beijos de mel...

Marly Bastos e PARCERIA.

sábado, 21 de julho de 2012

FRANCISQUINHA!


Chegou com uma trouxinha debaixo do braço e só. Chinelas havaianas velhas, roupas limpinhas e puídas, cabelos rebeldes, olhos assustados e um sorriso tímido com poucos dentes. Essa era a Francisquinha, mulher piauiense que fugiu do marido que a espancava e veio para Brasília atrás de um emprego e casa pra morar. E assim foi o nosso acordo...
              Ela logo procurou o que fazer e eu pude ver que apesar de já ter meia idade, pouco sabia da vida e muito menos de trabalho doméstico. Sua lida era na roça, “puxando o cabo da enxada.” Pra início eu disse pra ela lavar as louças e dar uma organizada na cozinha e fui trabalhar. Quando voltei, ela ainda estava lavando as louças! Eu estranhei... Ela resolveu dar um “grau” nas minhas panelas que estavam “com uma crosta preta” e com uma faca raspou todo o teflon... Ficou imprestável meu jogo chique de panelas antiaderentes. E ela ficou com calos na mão o que atrapalhou o trabalho por uns dias.
              Francisquinha não era fácil não! De vez em quando ela resolvia deixar tudo brilhando e num desses dias cheguei e a encontrei lavando com água de mangueira minha sala de tábua corrida. Todos os móveis molhados e esfregados com esponja grossa,e as paredes criando bolhas... Meu piso ficou inchado e fosco!
              Fiz compras e claro, o meu preferido queijo gorgonzola para fazer uma lasanha com molho branco. Fim de semana era especial, pois era quando eu tinha tempo para cozinhar. Separei todos os ingredientes para fazer a gostosura, menos o queijo que eu não achei. Revirei tudo e nada. Então perguntei pra ela se tinha visto o queijo que eu havia guardado em tal compartimento e ela disse que não tinha visto nada e só jogou fora um queijo “véi fêi e todo bolorento” ... Claro, a lasanha ficou sem o toque especial do gorgonzola...
Tinha que ter sabedoria para mandá-la  executar qualquer tarefa, pois ela levava ao pé da letra! Eu pedi para ela fazer uma limpeza caprichada no meu forno elétrico, no forno microondas, na batedeira de bolo e liquidificador. Ela os deixou limpinhos, limpinhos e fez toda a limpeza com sabão em pó e usou água em abundância. Encontrei meus eletrodomésticos secando ao sol... Passei mais de um mês sem ligá-los, e nem era besta né?
Eu às vezes entendia o marido dela, pois tinha que respirar fundo quando certas coisas aconteciam (tive vontade de torcer o pescoço dela em diversos momentos), mas sentia-me responsável por aquela mulher tão crua da vida. Ela disse que um dia ele deu umas tapas nela porque para não ter que lavar as barras das calças dele sujas de terra, ela as cortou no meio das canelas. Imagino como ficou... E a adverti que não fizesse isso com as minhas roupas. Ela não as cortou, mas o que manchou de roupas nem gosto de lembrar.
Ela ficou comigo por cinco(longos) anos e com o tempo aprendeu algumas coisas. Cozinhar NÃO foi uma delas! Tudo que cozinhava, empapava, desmanchava e ainda ficava boiando na água. Passar também não aprendeu, ficava tudo enjilhado ou queimado. A faxina  ficava do tipo “meio boca” tudo rajado... Era isso ou tudo destruído pela água em abundância (eu caprichava na limpeza no meu dia de folga). Aí você pergunta: O que ela fazia certo então? Nada! Mas de tão atrapalhada era encantadora. Aprendeu a sorrir, a se gostar e com isso veio a vaidade: Colocou dentaduras, cortou e tingiu os cabelos(tingir os cabelos ela fazia bem)e comprava roupas “da moda”. Ficou vaidosa! Arrumou namorado que trabalhava na “Grobo de televisão” (como motorista) e foi ser feliz morando juntos.
Depois de cinco anos de labuta(mais minha do que dela)deixou minha casa. Foi chorando, mas foi! Todavia, sempre aparecia para dar o ar da graça e tomar um cafezinho, pois dizia que agora era “madames” igual eu. Mais ou menos 3 anos depois de se tornar uma mulher casada e feliz, ela teve um enfarto e morreu.
Tantos anos de lida e quando pode ser feliz, sucumbe à morte. O marido da “grobo” chorava copiosamente e dizia ser ela a melhor mulher do mundo... Dizem que todo balaio tem tampa e a Francisquinha e seu amor “grobal” parece ser o exemplo disso.
                                                               Marly Bastos
 Foto extraída da internet de Pierre-Verger.

terça-feira, 17 de julho de 2012

NEM O TEMPO PODE APAGAR


Era um amor de adolescente, ele um rapaz pobre de recursos financeiros, mas cheio de sonhos, rico de sentimentos.
Ela uma princesa, que ele não se achava merecedor de tal amor que nutria por ela e era recíproco. Não achava justo tirá-la de uma vida abastada que a família lhe proporcionava... Sofria por um amor que não poderia ser, suspirava por uma paixão que não devia alimentar, sonhava com desejos que não podiam ser satisfeitos.
A vida seguiu seu curso. Ele mudou da pequena cidade onde nasceu e que até aquele momento vivia. Seu sonho maior era ser cantor [tinha voz pra isso e uma disposição enorme]. Junto com outro “canarinho sonhador” formaram uma dupla sertaneja e rumaram para a capital do Brasil, deixando para trás a princesa do seu conto de fadas, todavia guardado no coração a esperança do “um dia serão felizes para sempre”.
E a vida seguiu na vida do príncipe [ou sapo?] . Ele casou, teve uma filha, se tornou um cantor requisitado e de sucesso, e consequentemente um boêmio.  E por causa da vida boêmia, o casamento desandou e terminou em divórcio.  E ele seguiu a vida de boêmio na solidão [já que nessa vida as pessoas das horas de farra, nem as mulheres conquistadas por uma noite contam muito].
Num dos shows em que estava se apresentando, encontrou seu grande amor do passado, pois ela se tornou uma bailarina e havia sido contratada para se apresentar naquele show.
Ao vê-la ele sentiu aflorar todo sentimento guardado na gaveta do tempo e no secreto da alma.  Parecia que a poesia estava solta no ar, uma cumplicidade que o tempo passado não pode apagar...
Era mais que dois corações encontrados, pois havia uma eletricidade entre eles, um arrepiar de pele só de imaginar o toque, um desejo que exalava pelos poros e uma fome de amar que o tempo e a distância fez perdido.
A paixão era tanta, entre ternura e urgências, que o despir começava ainda na garagem! Despir das roupas, das defesas erguidas, dos medos, dos ciúmes, do mundo. Sim, despiam do mundo, eram apenas os dois soltos no espaço, no fogo da paixão que provocava fagulhas e queimava as horas que a distância impôs.

PS: Ao meu irmão de nome Gustavo Bastos... Um resumo da sua história de amor.
                                              Marly Bastos

                                          

domingo, 15 de julho de 2012

“MARRÉ DESSI”?!?!?!


Sempre me intrigou certas canções de ninar e a “de marré dessi” é uma delas. Dando uma sondada, descobri várias versões e origens para a letra dessa música, que é cantada desde muitos séculos e se pensarmos bem, sem nenhum significado plausível para nós. Todavia se buscarmos para essa cantiga o entendimento pela língua francesa, poderemos chegar a um resultado satisfatório:
“Je suis pauvre pauvre pauvre du Marais Marais Marais,
 Je suis riche riche riche d’la Mairie D’Issy”
Que virou na tradução:
 “Eu sou pobre pobre pobre demarré marré marré,
  Eu sou rica rica rica de marré dessí”…
Marais e Mairie d’Issy são dois bairros de Paris, onde “marais” (marré) significa “pântano” em francês, e era um bairro muito pobre, habitado por judeus. Já “mairie” (pronúncia bem parecida, e daí o jogo de palavras) significa “prefeitura”, e “mairie d’issy” é devido ao nome do bairro: “issy-les-moulineaux”. Este último, ao que parece, fica às margens do rio Reno, lugar bem chique. Por isso o “pobre, pobre, pobre de marais, marais, marais” e o “rico, rico, rico de marais d’issy”.
Acontece que as famílias ricas, sempre buscaram na língua francesa (ou na cultura europeia) a cultura de elite e dessa forma importou essa canção,  e as amas ou escravas não sabendo cantar em Francês, (ou como nós não entendiam o que cantavam) inventavam algo parecido, ou seja,  corrompiam o vernáculo. E o resultado é esse: Ninguém sabe ao certo a origem real desse termo “marré dessi”.
Essa canção (segundo a lenda, pois ninguém sabe ao certo) faz parte de uma brincadeira chamada “Jogo de Rico e Pobre”, onde é organizada duas fileiras de meninas que são postas frente a frente, a fileira rica avança e a pobre que recua; depois trocam de posições nessa movimentação de avançar e recuar e quem é de “Marrais” passa a ser “Mairie d’Issy”.
E nós sem sabermos a procedência da brincadeira, vamos disseminando a cultura da “opressão da massa”, onde o que é rico oprime o pobre. E o pobre só recua... Uma pena que de verdade, essa posição não possa ser trocada (e a gente vai levando a vida na brincadeira, só na “marré” e o “dessi” fica na utopia).
Parece interessante o conceito que o termo “marré dessi” tomou com o tempo, e que na falta de lógica, se deu uma lógica a ele: MUITO, demais, intensamente... Somos um povo de uma criatividade rica de “marré dessi”
Marly Bastos

Ps: Imagem extraída da internet com os créditos para o artista plástico Ivan Cruz.