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quarta-feira, 6 de abril de 2011

MEIO METADE...


Fiquei parada diante dessas palavras... Sinto-me meio perdida quanto à significação delas. Há uma luta entre partes(ou metades), pois não há exatidão nelas e ao meio é meio( embora meio quando se trata de estado emocional é algo lá e cá, não sei se realmente tem exatidão em tanto...)
Se metade é cada uma das partes, eu sou então um inteiro dividido em partes. E essas partes não são iguais, portanto não sou meio... (Sou toda?) Resta-me o princípio e o fim! Isso é atributo de Deus(“Eu Sou o Princípio e o Fim, o Alfa e o Ômega”)! Não sou Deus, mas concluo que tenho Ele em mim. Viajei... a afirmação é verdadeira, mas o pensamento ficou meio vagante.( E daí?)
Parei de novo pra pensar... E não cheguei a conclusão nenhuma! Tenho duas opções: Excluo tudo que escrevi, que nem é meio e nem metade de nada, ou termino o texto pela metade, o que é meio esquisito.

Uma coisa é certa(ou meio certa, já que achismo não é comprovação científica...), acho que somos mais metade de tudo do que meio... Somos mais ou menos de uma metade, e dificilmente seremos meio exatamente, pois esse exige um outro lado com o mesmo tamanho, peso, altura, profundidade, conhecimento, extensão... E isso é meio complicado, o que não quer dizer que é exatamente meio(pode ser pra mais ou menos, entende?).
Concluindo: Não disse meio metade de nada! Quer saber? Vou dormir, pois metade de mim é sono e a outra metade é meio estupidez...
Marly Bastos

terça-feira, 5 de abril de 2011

JOGO-SEDUÇÃO


















Cartas lançadas,
No jogo-sedução...
Desejo de sim,
E receios de não...
Sentido liberto, desperto
E incerto... Paixão?
Jogo do faço (e refaço)
Transcende a imaginação.

Cutucando, latejando
A vontade retalhada,
Tortura... Momento criador
Loucura denunciada
Derrama desejo,
Em forma de dor...
Sentimento inexplicável,
Momento denso,
Sentidos imploram o inadiável...
Marly Bastos

domingo, 3 de abril de 2011

ESTILHAÇOS


Estilhaços...
Infinita e sublime junção,
Mil fagulhas de emoção!

Apressamos o passo,
Acertamos o compasso...

Rolamos no laço,
Estreitamos o abraço.

...Nossas águas no riacho,
Sossegamos o facho!

Marly Bastos

EU SOU...



Eu sou flor...
Presa a um caule sustentador,
Pronta para desgarrar enfim
E ao sabor do vento,
desfrutar a liberdade em mim.

Eu sou vida...
Curta... Passa em um triz!
Mais curta é a chance de ser feliz!
Quero sentimentos profundos
Quero amores fecundos!



Eu sou contradição...
Minh'alma é prisão e espaço,
Me liberto e prendo no abraço.
Sou a lucidez em conflito,
E do silêncio, sou o grito!


Eu sou lua...
Dama, da noite, enamorada,
Por ti sendo velada.
Véu de névoa... Desejos a fremir,
Lua/Terra, conectados num mesmo sentir.

Marly Bastos

QUE NADA É ESSE?





Abri o word e parei em frente à tela branca... Estou vazia, sem ânimo, sem inspiração para colocar as palavras em ordem e corretamente. Mas preciso! É meu vício.

Há uma tristeza seca em minha alma, daquelas que não chora, não escorre, não dilui. Estou ensimesmada na intensidade do que sinto, sem ter pra onde ir nos meus pensamentos, sem guarida nos meus “ais”. Estou cheia de um vazio cheio de nada! E esse nada parece que é o tudo que tenho... Então vou escrever sobre o nada!

Vasculhando , vou andando no espaço e no tempo, sem cor, sem cheiro... Tudo ausente! Até a dor que me tangia o âmago se esvai. Eu a esqueço, na ânsia de decodificar o nada, e assim vegeto em seu regaço. Dor que nada é e que vai moendo meus sentidos, corroendo minha armadura tão frágil, pobre e leve. Quão perecível sou, nessa casca dura que não dura!

Quão profundo esse nada que pareço estar mergulhada! Profundidade somente menor que a do seu olhar. Que falta dos teus olhos ternos nos meus! Faltam-me teus gestos e palavras, que nunca foram ditas e por isso não consigo lembrá-las. Há silêncio no lugar dos teus sons. Silêncio nada é...

Calo dentro de mim teus risos, emudeço tuas promessas, apago teus gestos. Nada mais resta dizer do nada. .. Esvazio-me das revoltas e amarguras que se misturam, e não posso dividir os sonhos e as esperanças do caminho, pois não as tenho.

Estou vazia de nada, e cheia de tudo... Paradoxal. (num momento sem inspiração)


Marly Bastos

sábado, 2 de abril de 2011

LÁGRIMAS











E esses vestígios de caminhos
Traçados sem rumo pela face?
Ah!... Lágrimas procurando ninhos...

A dor abstratamente visível,
Com desalento vão se derramando,
Sem rumo elas vão caminhando.

Agora são rios que parecem sem cursos.
Aos cantos da boca, antes corriam diretas
Entre risos transbordavam e agora tão perdidas...
Forasteiras, vertiginosas... Tão concretas!

As lágrimas são apenas mananciais
Das tristes marcas refletidas,
Pequenos retalhos de amor,
Em lembranças tecidas.
Marly Bastos

SÓ VOCÊ!

Marly Bastos

MATURIDADE - UM BALANCETE


Mais um ciclo da minha vida está se fechando... Coloco-me a fazer um balancete dessa minha dita maturidade...

As experiências que vivemos nos ensinam a não alimentarmos ilusões. Elas aguçam-nos os sentidos para que percebamos a beleza lúcida das realidades. Conforme fazemos opções, muitas portas vão se fechando em definitivo, e aí temos que aceitar essas renúncias sem que seja um fardo pesado demais, fazendo-nos seres humanos amargurados e céticos. Quantas renúncias fazemos, em prol do bem viver, da família, dos conceitos morais e sociais!

Quantos erros somam minhas primaveras! Um jardim florido de erros... É certo que a soma dos erros derruba jovens esperanças e crenças de onipotência, mas isso não deve tirar o ideal de continuarmos tentando acertar. Os desenganos e incompreensões não devem tirar-nos a fé e nossa disponibilidade frente ao mundo. É certo que as forças falham, mas nessa hora é necessário redobrar a vontade, alertar o espírito e fugir do comodismo.

Temos a impressão, em certa altura da nossa vida, que há uma precariedade em todas as coisas, limitações em todas as lutas, e uma pequenez em todos os atos. Mas é nesse ponto que devemos afastar-nos do caminho do desânimo, alcançar o ponto de perspectiva que nos dará a exata visão do amadurecimento com coragem, suportando revisões até o último suspirar.

Conforme o passar do tempo, um círculo de criaturas se fecha em nossa volta, esperando absorver pedacinhos dessa dita “maturidade” adquirida não com os anos e sim com as vivências, já que conheço quem viveu 70 anos e tem a imaturidade dos 12 anos e outros de 20 anos que tem a maturidade dos 40 anos. Há pessoas que não amadurecem, apenas envelhecem. Essa maturidade é tão difícil de definir, pois é alicerçada na subjetividade, todavia creio que uma boa analogia seria com as frutas mesmo. Frutas verdes não são ideais para serem digeridas. O morango é ácido, a melancia insossa, e a pera é dura. Agora essas frutas maduras são divinas! O morango se torna vermelho, apetitoso e dá água na boca só em vê-lo; a melancia dulcíssima e saborosa, e a pera macia e suculenta (salivei).

Maturidade, é ter uma visão do mundo que extrapola o limite e o centro do eu; é ter amplitude e expansão da alma; é adquirir flexibilidade social; é gerar atitudes de aconchego. Não é que necessariamente devemos ser sábios na maturidade, mas às vezes ter uma palavra certa, um gesto exato, uma atitude norteada para com aqueles que carecem. É enfim, tirar os olhos do próprio umbigo e sair da questão “do que eu ganho com isso?” E voltar-se para outra questão “como posso contribuir e ajudar?”

A abençoada cegueira da juventude, aos poucos se vai embora, e com ela o egoísmo, as atitudes levianas e decepcionantes. Os olhos se abrem para a compreensão de que não adianta chorar o passado; nem cair na desilusão; ou tampouco perder o ânimo de envelhecer jovem e chegar ao fim da linha com uma reserva de amor, com a lucidez aguçada ao menos na alma, sem ser engodado pela amargura.

Existe um lapso de tempo para que o amadurecimento pleno aconteça, variando de tempo para tempo quando se trata do amadurecimento subjetivo, pois vai depender das experiências que cada indivíduo teve, e como ele absorveu essa vivência.

Creio que estou amadurecendo, embora a plenitude ainda está “de-vez” como diria a minha mãe...

Marly Bastos

sexta-feira, 1 de abril de 2011

EU, CASA DE SONHOS

Dormia tranquilamente meus anseios,
Parecendo viver no mundo sonhador...

Quase dor... Sensação de padecer!
Era um sofrer sem motivo aparente,
E bem escondido no meu ser...
O coração vibrava descontente.

Doía a recordação de um tempo feliz,
Que de fato nem sequer existiu,
Alegria, que o coração jamais sentiu,
Habitei a casa utópica...Razão o diz.

A tristeza baça e vã, passa e (re) passa,
Imaginação vil e mentirosa! Hora do pranto.
Debati-me à toa, não havia fogo, só fumaça,
Rompeu o mundo etéreo...Sepultei o encanto.

Marly Bastos

quinta-feira, 31 de março de 2011

ASSIM SERÁ!


Tenho guardado na alma ressentimentos sim. Quais e porque de imediato não tenho respostas. Tenho alma sensível, e nessa minha sensibilidade noto que me ignoras conscientemente, sinto tua indisposição em querer entregar-te a nós, vejo tua resistência ao meu querer.
Peço-te não ignores quem em ti desperta o desejo maior do mundo, amor! Não desprezes aquela cuja presença está em cada célula do teu corpo, desde quando acordas até quando te deitas. Não te sintas tentado a provar que não estás disposto a te jogares do penhasco por livre arbítrio. Não te amedrontes e nem te acovardes! Não te refugies no aparente afastamento que me traz mágoa, e nem te silencies das minhas palavras, pois não compreendo no momento, as palavras mudas que ditam tuas razões...
Comparas nosso sentir como as ervas daninhas que necessitam ser arrancadas... Erva do Desejo, tu dizes. Se necessário, corte-as, mas não as arranquem pelas raízes!
Sim, mil vezes sim! Eu quero mais que momentos. Quero mil vezes! Nada exijo, apenas quero... Entendas o quão difícil é ser somente corpo, quando se entrega a alma. Não quero posse, apenas espaço no teu coração. Não imponho tua sinceridade, todavia tua clareza. Não me basta ser presença indelével em sua vida, quero ser ausência sentida. Não quero que me sejas fonte cristalina, quero que te tornes em meu corpo rio turbulento.
Amor, saias desta posição de defesa, vença o medo de estar totalmente em minhas mãos, pois as tenho carinhosas, e através delas posso levar-te ao banquete dos deuses.
Dizes tu, que uma deusa e um reles mortal não podem jamais se amarem, e que há um mundo de incompatibilidade entre eles... Todavia não sou deusa... Apregoas que a mim foi dado o poder da sedução e do encanto no olhar, no falar, no beijar, no mexer na intimidade. E eu te digo que a ti foi dado o poder de me fazer imortal no arrastar dos momentos a sós. Crês realmente que és apenas um homem que se deixou levar por esses encantos? O teu coração leva-te aonde tu teimas em não ir, e ainda dizes que ele é insensato??!!...
Quero-te com a extensão e profundidade que assusta-me! Estou mergulhada nas minhas interrogações, oprimida pelas minhas convicções e mesmo assim pronta para o mergulho, preparada para o vôo...
Verdadeiramente tu queres o amor dos românticos? Inatingível, alicerçado na fantasia, alimentado no platonismo?!... Vo-lo darei a ti! E quanto a mim? A quem darei meu amor-desejo? De qual fonte saciarei minha sede? Quem se banhará no meu mar?
Contento-me então, com o que queres dar-me! Dê-me tão somente o carinho da tua alma, e as labaredas do teu corpo distante, que fogueia na ausência. Farei no meio da noite poesias para ti, traçadas no vazio, e no alvorecer as declamarei para as sombras, e quando amanhecer abrirei a gaveta da minha alma e lançarei ali os suspiros sem gozos, os gritos sem sons, e toda melodia que cantou minhas entranhas. E amar-te-ei como amaram os românticos, com pena e papel...
Marly Bastos