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segunda-feira, 9 de abril de 2012

COISAS PRA VIVER

                                       
Onde ficou minha juventude?
Por onde se embaçou meu viço?
Tantas coisas pra viver,
Presas na gaveta do tempo,
Emperrada pelo cotidiano...
E assim,
A vida vai passando,
O tempo correndo,
Os sonhos crescendo...
A alegria que vem e vai.
A tristeza camuflada...

Que vincos são esses no meu rosto?
Caminhos de aprendizagem?
Sinônimos de longo viver?
Ou seria o reflexo
Do amarrotar da alma?
Ou do morrer da juventude?...

Então, dou vivas ao amadurecer!
Na face,
Semblante perfeito onde o sorriso nasce,
No riso,
De deliciosos  momentos sem siso.
No amor,
Mesmo que cresça na dor.
Nos vincos e laços,
Que juntam num todo, meus pedaços...

Marly Bastos

sexta-feira, 6 de abril de 2012

MÁ COMPANHIA NÃO É NADA MAU!


Eu vivo por aí apregoando que antes só do que mal acompanhada. Mas sinceramente isso é coisa de quem está com dor de cotovelos, com carência mal resolvida, ou com vontade de provar a si mesma de que perdeu “qualquer coisa à toa”. É isso mesmo... E já que estou confessando isso, hei de confessar também, que ultimamente ando sentindo falta de uma má companhia, nem que sirva pra depois eu chegar novamente à conclusão de que antes só do que com uma má companhia.
Sim, estou carente!
E não venham me dizer que má companhia a gente encontra em qualquer lugar. Encontra não. Afinal de contas, já que é má companhia, precisa, no mínimo, que seja moreno, alto, bonito e sensual [loiro também serve]. Pode ter certeza que essa má companhia, não é nada má...
 Quando me vem à mente essa má companhia, lembro logo de Chapeuzinho Vermelho e do Lobo Mau. Pra ela poderia ser uma companhia horrível, mas para uma mulher bem resolvida, aquelas feições temerosas e horríveis não são de todo ruim. Pensa comigo: Para chapeuzinho todas as respostas dos “pra quês” foram de botar medo (mas ela era uma criança né?). Agora se esses “pra quês” fossem feitos por uma mulher bem centrada eu imagino que a resposta poderia ter sido outra! Veja:
MBR (Mulher bem resolvida): Lobo Mau porque esses olhos tão grandes?
LMS (Lobo Mau sedutor): Para poder admirar toda tua beleza, que vem da tua alma e reflete qual flor orvalhada no teu exterior!
MBR: Para que esse nariz tão grande Lobo Mau?
LMS: É para aspirar toda poesia que emana de ti, e que às minhas narinas vem como perfume suave e único.
MBR: Para que essa mão tão grande Lobo Mau?
LMS: Essas mãos enormes, tão somente desejam tocar na tua pele, sentir teu calor e apalpar tuas carnes macias que me chocam a imaginação...
MBR: E essas orelhas tão grandes???... Pra que seriam?
LMS: Para ouvir tua voz tão meiga e doce, dizendo palavras que me elevam às alturas !
MBR: E essa boca enorme, tão cheia de dentes? Pra que a usará?[eu pensaria uma infinidade de respostas... Mas melhor deixar o resumo do Lobo Mau]
LMS: Pra te comer... Engolir inteira é coisa pra lobos sem experiência. Eu te mastigarei com meus dentes enormes, saborearei cada pedacinho e depois sorrirei  satisfeito, sabendo que devorei o melhor banquete que encontrei nessa floresta chamada vida.
Resumindo, o lobo mau, que nesse caso é a má companhia, tem boas intenções sabia? Que mulher não gostaria de ter uma companhia que fosse somente olhos para ela, que ouvisse tudo que ela tem pra dizer, a acariciasse com mãos enormes, cafungasse no seu cangote com aquele nariz imenso e por último ainda a (comesse) devorasse?
Que chapeuzinho vermelho que nada, quem se dá bem na história é a vovozinha! Ráaaaaaa!!! E quem disse que uma má companhia é algo mau? Bem... Má companhia no bom sentido.

terça-feira, 3 de abril de 2012

MEU OCASO

Essa sua distração rasga-me a alma
E o silêncio proposto por ti, arrebenta-me os (a)cordes
Faz-me chorar tanto que fere as meninas dos meus olhos...

Não importa o que faças,
Nem se pode considerar o que digo...
Simplesmente, você não pode ir de mim
E eu não posso me perder de você.

Esse seu querer ao acaso,
Provoca o ocaso da minha alegria
E o amanhecer da minha dor.

Evite tentar esquecer o doce dos meus lábios,
E eu conservarei em minhas pupilas o doce do teu sorriso.
O nosso pacto era para ser somente versos, e molhar a pele
Mas o teu amor tornou-se minha poesia e lavou-me a alma...

Meu coração vive entre alegres batidas e partidas.
Invento modos de perpetuar em mim teu cheiro e gosto,
E no coração, uma cicatriz cauterizada em forma do teu rosto.

Marly Bastos




quinta-feira, 29 de março de 2012

FRUTA MADURA!

A absorção da dita “maturidade” não é adquirida com os anos e sim com as vivências e chega-se a ela pelo histórico de vida,  pelas experiências acumuladas e pela abertura que se tem pelo mundo.  Conheço quem viveu 70 anos e tem a imaturidade dos 12 anos e outros que viveram apenas 20 anos e que tem a pretensa maturidade dos 40 anos. Portanto, maturidade não é somente cronológica... Há pessoas que não amadurecem, apenas envelhecem!     


A maturidade humana é difícil de definir, pois é alicerçada na subjetividade. Creio que poderia usar a analogia com as frutas.  Elas verdes não são gostosas. O morango é ácido, a melancia insossa, e a pera é dura. Agora essas frutas maduras ... São apetitosas, suculentas, doces! Assim somos nós se imaturos “ácidos e duros”, se já alcançando a maturidade, “doces, flexíveis, temperados”...

Maturidade, é ter uma visão do mundo que extrapola o limite e o centro do eu; é ter amplitude e expansão da alma; é adquirir flexibilidade social; é gerar atitudes de aconchego. Não é que necessariamente devemos ser sábios na maturidade, mas às vezes ter uma palavra certa, um gesto exato, uma atitude norteada para com aqueles que carecem. É enfim, tirar os olhos do próprio umbigo e sair da questão “do que eu ganho com isso?” E voltar-se para outra questão “como posso contribuir e ajudar?”

A abençoada cegueira da juventude, aos poucos se vai embora, e com ela o egoísmo, as atitudes levianas e decepcionantes. Os olhos se abrem para a compreensão de que não adianta chorar o passado; nem cair na desilusão; ou tampouco perder o ânimo de envelhecer jovem e chegar ao fim da linha com uma reserva de amor, com a lucidez aguçada ao menos na alma, sem ser engodado pela amargura.

Existe um espaço de tempo para que o amadurecimento pleno aconteça, variando de tempo para tempo quando se trata do amadurecimento subjetivo, pois vai depender das experiências que cada indivíduo teve, e como ele absorveu essa vivência.
E nesse processo de amadurecendo, vamos entendendo que para a plenitude ainda falta muito e creio que chegamos ao fim da linha com a sensação de que ainda não somos “fruta madura no ponto...“

Marly Bastos

segunda-feira, 26 de março de 2012

PÉ NA BUNDA DÓI!


Ninguém está imune ao funcional, famoso e meio esquisito acordo entre um casal no término de um relacionamento: “Eu entro com o pé e você entra com a bunda.” Pra quem entra com o traseiro não é muito bom... Dói! Dói no coração, sangra na alma, e dilacera os sonhos. E não adianta ser bonita, inteligente, interessante, divertida, bem humorada, elegante, descolada, etc, pois em algum momento da vida você vai levar um tremendo fora, vai ser dispensada numa boa e claro, como todas são filhas de Deus, em determinado relacionamento vai querer se ver livre de alguém também.
    
Tem quem aponte as vantagens do “pé na bunda”. Uma dessas vantagens é empurrar pra frente. O fim de um relacionamento traz  reviravoltas, e isso significa transformar o amor pela pessoa em amor por ela mesma. Para isso é preciso aceitar o “the end”,  e ter consciência que não depende de você querer, mas de precisar tocar pra frente, de continuar a viver, de não se entregar.
      
 A verdade é que o “pé na bunda” dói no coração, na alma e no ego. É traumatizante ouvir “dar um tempo”, “repensar” ou “melhor um afastamento”... Isso dói! Não importa o grau do relacionamento, lidar com o fim ainda amando, apaixonada, gostando, acomodada na relação é algo que machuca, pois não é fácil deixar de ter a presença da pessoa, os cuidados, a rotina. Éh... perder e lidar com as perdas não é fácil.
      
Quando você sente o impulso dado no seu traseiro, você tem vontade de chorar, implorar, pedir pra não acabar. O ego fica frágil, você se descabela e pensa "onde que foi que eu errei?" Não, você não errou, isso faz parte da finitude das coisas, às vezes o  querer é uma via de mão dupla. Simples assim, um vai e o outro fica, ou um segue um rumo e outro vai na contramão.
     
 Que pena que a chama se apaga, que a luz foi fraca para iluminar os quereres do outro, que a vela queimou todo o pavio que era curto... É fundamental que se perceba o fim de um ciclo amoroso, para que outro possa ser  começado (ou não). O importante é não guardar esperanças de retorno, “de talvez”, para que assim, esteja aberta para viver coisas novas. Agora, vai explicar isso ao coração! Eita orgãozinho turrão!
  
Recebeu um “pé na retaguarda” meio que de surpresa, daqueles grandes que te fez perder o rumo de casa? Chore, pode chorar, pois com certeza  “há um rio de lágrimas sobre os seus olhos”. Mas, como diz minha amiga Rosie, “se chorar, chore por você mesma, pela sua dor e ao mesmo tempo agradeça por ter acalentado na alma tão nobre sentimento, enquanto a outra pessoa, possivelmente nem o experimentou na mesma essência...” E no ápice da dor de cotovelo, vale lançar mão de uma frase nada sentimentalmente correta, mas que dá um certo ar de que estou por cima: “A gente pede desculpas por ter amado mais para nós mesmas, porque porcos não diferem pérolas de milho.”[O cúmulo do despeito né? Mas, pra aliviar a dor vale tudo!]

Alma lavada, ego enganado, agora é hora de reagir e investir em si mesma, pois isso é o mais saudável. É hora de trabalhar o amor próprio e a lucidez. É obrigatório sabia? “Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima.” Entre mortos e feridos, você sobreviveu.
  
     Então, se você acabou de levar o famoso "pé na bunda", o jeito é juntar os cacos e canalizar energia em tudo o que lhe possa fazer bem. E isso pode significar cuidar do corpo, e pra não pensar nele vale correr no parque, fazer bastante musculação, ou também, pode fazer brigadeiro de colher e comer sozinha, mandando tudo o mais às cucuias. Chocolate também é bom, tem serotonina, a substância do prazer... Ou faça o que você quiser, mas não corte a jugular! No máximo uma falange, só pra lembrar que está viva e tem “otras cositas que dolen , talves mucho mas que llevar con los pies en la cola.”

quinta-feira, 22 de março de 2012

VEM CÁ! . . .


Vem cá!
Derrame-te em mim por inteiro
Eu desejo o teu gosto e cheiro
Vem! Homem faminto
Dominando meu instinto
Cavalgando em meus desejos
No ritmo do nosso arpejo.
É assim que te desejo...

Vem cá!
Acaba comigo em puro êxtase
E faz-me transpirar gemido
Aflorar a libido,
Gemer sussurros
Calar meus urros
Nas ondas dos teus arrepios surfar
Nos teus apelos lambuzar.

Vem cá!
Chega-te a mim,
Do jeito que esperei enfim,
Apaixonado e carinhoso
Fazendo do meu corpo teu repouso,
Seqüestrando meu gozo
Aprisionando meus anseios
Com esse seu jeito assim, sem receios...

Vem cá!
Invada meu corpo inteiro
Quero-te primeiro e por derradeiro
Chega-te a mim, completamente
E me derramarei toda... Docemente!

Marly Bastos

terça-feira, 20 de março de 2012

NO MUNDO DA FANTASIA...


Não há limites pra fantasia
No meu mundo de poesia.
Nele eu tenho miragens,
Crio e recrio imagens.

Tudo, são portas que se abrem,
Entrada ou saída, dali ou d’além...
Na realidade ou às vezes sonhando,
Flutuo na rima, com o coração dançando.
Sou alma presenteada ao sentimento,
Amor, saudade, alegria e tormento,
Do coração, o constante alimento.

Versos que parecem fáceis, fluentes...
De amores e dores são vertentes,
Entoando aquilo que (não) se sente,
Gritando a dor às vezes inexistente...

A poesia às vezes sai espremida,
Quando a vida se sente contraída,
De medo, de amor ou de prazer,
Mas, só assim se pode viver.
Poesia é sonho irrealizado,
É amor não encontrado,
É o mundo recriado...

Marly Bastos

segunda-feira, 19 de março de 2012

(RE) POUSO!



A vontade, apenas repousa
Porque não morde
E nem assopra a carência;
É corrupção lúdica,
Do sex(t)o sentido,
Entrega mágica... Incoerência!

O fogo injetado queima
De forma (quase) real
Consumo-me
Em morte proposital...

Na plenitude da essência,
Quero mordidas,
Assopros e... Penitências!
(Intervalos)...
Muitas reticências...
Mas jamais quero ausências.

Marly Bastos

domingo, 18 de março de 2012

E A FAMA FICA PARA AS LOIRAS (Foi escrito quando eu ainda era loira...)

Um amigo meu (e olha que não é pessoa ignorante, mas teve seu momento...) resolveu aderir às lentes de contato e claro recebeu toda instrução de higienização e conservação dada pelo oftalmologista. O médico recomendou que as lentes deveriam ser fervidas ao menos uma vez por semana.

Aconselhou-o a comprar uma panela de vidro e marcar 10 minutos após a fervura (a panela de vidro era para enxergar melhor o momento de ebulição da água... Para homens isso se faz necessário). Ele comprou a panela indicada e após uma semana foi fazer a necessária higienização...

Colocou água filtrada na panela, levou ao fogo e ali mesmo tirou as lentes e jogou dentro da panela. Esperou a hora exata da ebulição da água, contou os 10 minutos de fervura recomendados, desligou o fogo, esperou esfriar a água e foi retirar as lentes... Ahuahuahuahuahuahuahu(desculpe! Passou).

Continuando: Ainda me acabo de rir quando me lembro dele contando que esterilizou a mão com álcool e vagarosamente procurou as lentes. Não as achou, apenas havia dois caroçinhos pregados no fundo da panela. “PUTZZZZZZZ ERAM MINHAS LENTES, DERRETERAM E COLORAM NO FUNDO DA PANELA”! Assim ele contava o drama, e colocava as duas mãos na cara! Ele não acreditava que tinha feito aquilo! Claro, era para ele ferver as lentes que deveriam estar dentro do recipiente (inclusive cada lente dentro do compartimento correto conforme o grau ajustado à necessidade visual do olho) e aí sim, colocado dentro da panela...

Ahuahuahuahuahuahuahu (Desculpe, um dia passa a crise de riso toda vez que me lembro do caso). E Depois, a fama (nem vou dizer qual, pois todos já sabem) fica para as loiras!

Marly Bastos

sexta-feira, 16 de março de 2012

O BICHO HOMEM


Sabe o que eu vi?

Um homem com muita fome!
Não parecia gente, parecia bicho,
Com os sonhos gerados no lixo.

Um homem com muita fome,
É apenas um bicho homem.
Que as faltas, os brios consomem

Um homem com fome...
A carne some,
Ficam ossos e dentes
E conseguem ser ainda sorridentes.

Um homem com fome,
É apenas, fome da fome!
E o que é o bicho que o consome?
Bicho capitalista, o mais infame.

Marly Bastos



O BICHO
Manoel Bandeira


Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.