Meu Deus, num piscar de olhos e estou chegando à meia idade! Cadê todos esses anos que vivi e nem percebi? Hoje acordei com essa sensação de que dormi menina e acordei mulher. Ainda tenho dentro de mim uma adolescente insatisfeita com a vida, cheia de dúvidas, de sonhos e com a íris ainda cor de rosa.
Lembro de um filme que assisti a bastante tempo (“De repente 30”), sobre uma adolescente que queria crescer rápido, pois achava a sua vida sem graça, chata e aborrecida, ganhou de aniversário uma casinha mágica, fez o pedido para ser adulta logo [aí caiu da casinha um pozinho mágico em cima dela], deitou, dormiu adolescente e acordou com 30 anos, sem saber como tinha passado esse tempo e ainda atordoada teve que se adequar à nova vida, lidar com as responsabilidades que o crescimento traz.
Acordei como a “Jenna”, achando que ainda sou muito jovem pra essa carga às vezes tão pesada, chamada amadurecimento. Cadê meus 20 anos? Cadê minha era Balzaquiana? Cadê a loba que passou por mim? Procurei todas elas dentro de mim e descobri maravilhada que ainda estão todas aqui como se estivessem esperando para participar de uma festa. A menina sapeca, a adolescente complicada, a balzaquiana sexy e a loba madura... E todas elas formam a mulher perplexa diante dos anos passados!
Meus filhos adultos não deixam os anos passados mentirem. Mas parece que foi ontem minha formatura no ensino médio, a alegria de passar no vestibular, a apreensão do primeiro emprego, meu primeiro beijo, o primeiro namorado, o enlace matrimonial, a emoção da maternidade, e tantas outras alegrias e dores... Ainda lembro de certos detalhes como se fossem ontem [e já faz mais de 30 anos]. Será que algum pozinho mágico caiu na minha cabeça e pulei algumas fases?
Agora, se “puxo” pela memória, posso dizer que vi muitas coisas acontecer nesse Brasilzão de meu Deus, ajudei de alguma forma a construir histórias e a formar cidadãos. Lembro que quando começou a era digital, eu ainda dizia “datilografar no computador”[vexamentoso, mas real]. E confesso que tive medo de navegar por esse mundo mágico da internet.
Nesses anos que nem vi passar, aprendi muitas coisas e sou aberta ao novo, ao moderno e ao que possa me engrandecer. E sempre refuguei qualquer tipo de coisa que pudesse me aprisionar ou ser contrário ao meu lindo ser [eu me amo rsrsrs]. Passei pela geração do lança-perfume e nunca senti o cheiro dele; passei pela geração da maconha e nunca sucumbi a ela; passei pela geração em que era “cool” fumar e beber, e eu nunca me interessei por esses vícios; estou na geração do crack e sinto uma revolta danada ao ver jovens perdendo suas vidas por causa da ganância de homens sem humanidade e escrúpulos. Mas, daquilo que me preservei, parece que banalizou entre essa nova geração. Digo isso porque por esses dias ouvi um comentário assim: “Véi, minha mãe me racha a cara de vergonha, disse que nunca fumou maconha, nunca ficou loucona com lança perfume e nem tomou um porre pra cair, como vou contar isso pros meus filhos?”[Sei que era pra ser piada, mas dizem que toda piada tem uma pitada de verdade] Nesse caso, eu também sou uma vergonha...
Quando eu era menina, olhava no espelho e me imagina com minha idade, e essa imaginação era de uma mulher velha, enrugadinha e já com as mãos entrelaçadas esperando cair mortinha e pronta pro paraíso. E hoje me olho no espelho e me vejo menina cheia de sonhos, cheia de vida, romântica e ainda achando que a vida dura um século![E nem tão acabadinha assim... rsrs]
Marly Bastos













