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domingo, 23 de junho de 2013

ERA ASSIM....[OU É?]

Foto da Web
Quando os seus olhos se encontravam numa dança de conquista,
sentiam uma parada na órbita da terra, tudo parecia suspenso,
seus corações levitam e quase saiam pelas bocas...
Devagar, quase flutuando encostava o corpo dela no dele
e podia sentir o calor de ambos tão fogoso e vivo quanto uma labareda...
Enxergavam-se além do rosto, dos olhos e chegavam à alma.

Ele beijava-lhe a boca como um beija-flor faminto,
traçando trilhas molhadas, fazendo percursos inéditos
e num rompante deixava que tudo desaguasse no ápice...
Os beijos iam além dos lábios, do céu, da flor
e da última barreira levantada.

O desejo intenso dava-lhes um desespero que ia além das possibilidades.
Era querer mais que o querer permitia.
Era ter mais que as mãos, bocas e palavras poderiam alcançar.
Era ganhar asas nos anseios que se faziam desejos doloridos...
Doía neles essa impossibilidade de querer ter além do que possuíam.

Os dedos tocavam a pele e traçavam linhas imaginárias na alma!
Os olhos queimavam a pele por onde olhavam...
E...
Depois de todos os suspiros arrancados,
dos gemidos tão indizíveis,
do gozo tão efêmero e inefável,
de todos os toques apaziguados,
de todas as dúvidas caladas,
de palavras desandadas,
do voo alcançado,
da paz retomada,
da cama arrumada,
era hora de deixar a vida seguir o seu fluxo...

Marly Bastos