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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

A TUA PALAVRA SENHOR!


Sacudirei o pó da caminhada pelo deserto,
Louvarei no vale, pois Ele reavivará meus sonhos,
Abrindo fendas na rocha para saciar minha sede.
Assim, meus lábios cantarão louvores ao meu Deus,
Atraindo toda sorte de bênçãos para minha casa.

Levantarei minha cabeça e subirei ao cume do monte,
Para que ali o Senhor fale comigo...
E sentirei a brisa da Sua boca, limpando minha alma, 
E o azeite da Sua glória sarando minhas feridas. 
Contemplarei os galhos secos florescendo,
E o solo castigado, pisado pela injustiça,
Sendo cultivado pelo meu Deus e Senhor. 

Descansarei folgadamente, 
Pois uma nuvem de glória pairará sobre mim
E a restituição chegará enfim à minha vida.
Portanto, comerei o melhor desta terra, 
Pois, com Deus sou grandemente próspera!
(Promessas extraídas da Bíblia)

Marly Bastos

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

SÃO FOFOS ESSES FOFINHOS!



Estou sempre afirmando que os homens são a segunda obra prima de Deus. A primeira são as mulheres sem dúvidas, por serem feitas depois deles, foram aperfeiçoadas em tudo. Mas hoje, quero falar de uma classe especial de homens: Os fora da forma física convencional. Esses têm um encanto especial! Diante do bom humor que eles demonstram, uma barriguinha não tem importância alguma. Geralmente não gostam de pegar sol e ficam branquinhos... E quem se importa com isso? Afinal pra que marquinhas? Eles tem consciência da forma física que exibem(em forma de bola, quadrado, retângulo, colchão, tamborete, tambor...), e por isso, não ficam se exibindo sem camisa por ai, com o peitoral de fora e nos deixando roxas de ciúmes. Aliás, homem “malhação-janela”(aqueles com uns dorsos maravilhosos sempre exposto para delírio da mulherada) geralmente não são cavalheiros, são egoístas e exibicionistas, além claro de quase fúteis.

Homens malhados e o IMC ideal são “ um pé no saco”, pois só falam de suplementos alimentares, calorias das barrinhas de cereal, gordura saturada do sanduiche, os malefícios da carne vermelha (picanha então um veneno!). Lasanha? Só se for de berinjela no lugar da divina massa... Saia com um desses pra ver! Vai comer folhas igual lagarta ou pra não exagerar uma salada com produtos integrais. Tem quem goste, mas sinceramente eu faço esse tipo de refeição em casa e nos dias úteis. Final de semana eu quero ser feliz e isso inclui pizzas e outras massas, carnes vermelhas, inclusive de porco com tutu a mineira. Uma galinhada e coca-cola, e não me venha com o veneno da light ou diet eu gosto é da engordiet.

Deu pra entender porque acho homens fofinhos tudo de bom né? Nem precisa pedir, eles te leva pra uma churrascaria quase a meia-noite e manda descer o rodízio! Isso inclui passar a noite toda sentindo mal pelo peso da carne que o estômago não consegue digerir direito... Mas quem importa? Os risos, a conversa divertida (ninguém fica divertido com fome), aquela cumplicidade no mastigar que até parece sincronizado... Tudo lindo! Há outros lugares para ir claro, mas com certeza, eles fogem(como eu) de restaurante especializado em comida francesa, pois aquele tiquinho de comida no prato afugenta o homem fofinho(e a mim também).

Aqueles homens que parece pão de queijo, fofinhos, gostosinhos, redondinhos e branquinhos, podem não ser padrão de beleza, mas que são excelentes são. Eles se superam em inteligência, em gentilezas, em carinhos, e com toda certeza em nada ficam a dever em encantos aos brutamontes(não que eu não goste. Eu gosto sim, acho lindo quando os músculos estão na dosagem certa, quando não há exagero), mas sinceramente, não é o essencial aos olhos. Olhos femininos sábios, enxergam o que é invisível, o que está nas entrelinhas, o que passa batido pelas menos experientes da vida.

     Homens fofinhos se desdobram em encantos, que a nós mulheres (sábias) faz toda diferença. Se são baixinhos, tem um humor nas alturas, geralmente tem alma tão transparente quanto sua pele, o sorriso vale por uma montanha de músculos definidos e o olhar deles geralmente é pura poesia, pois eles te veem com olhos líricos, e diante deles você se sente a mulher mais linda do mundo!

Agora me diz, homens fofos, não são umas fofuras mesmo? Claro, há controvérsias, mas é que essas ainda não experimentaram um verdadeiro pão de queijo, aquele feito com ingredientes genuínos ... Maravilhosos!


Marly Bastos

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

DESEJEANDO


Enrosque em mim seu ser
Mescle sua alma à minha
Funda teus poros aos meus
Até que teus gritos sejam meus gemidos.

Que as batidas do teu coração
sejam os compassos da minha dança matinal
E que teus beijos sejam meu ponto de partida
para chegar ao desejo sensual.

E que o teu sussurrar ao meu ouvido,
Seja a música que me embale as vontades.
Que os teus dedos mansos,
Sejam turbilhões para meu sangue.

Que o teu todo seja o meu meio
E que o meu cheio seja o seu transbordar...
Em meia voz, à meia luz faça-me cheia de ti.
Em meia-lua, faz-me tua.


Marly Bastos

domingo, 25 de janeiro de 2015

AINDA QUE FANTASIAS...

                                    Imagem da Web
Fantasias são os devaneios e viagens mentais que a nossa imaginação nos permite... Elas são necessárias para enfrentarmos os vazios que a vida real traz, ou que os sonhos não concretizam... As agruras da vida e a dureza cotidiana, tomam conta do nosso existir e aí fica a impressão de que somos fracos demais para mudar nossa realidade, então torna-se aplausível criar asas nos pés e voar na imaginação.

São tantos tipos de fantasias, mas o certo é que elas nos levam para o fim do arco-íris... Elas sempre acometem corações sedentos de vida, de amor, de paixão e de todos os sentimentos que nos dão  a possibilidade de viver plenamente. É na impossibilidade que a fantasia se torna possível, pois nela nossas vontades alçam voos, quebram protocolos, rompem as correntes das convenções e dá uma rasante no intocável!

Fantasiar é criar um mundo que almejamos. E isso nos faz querer encontrá-lo... Naquele minuto de desconsolo da vida e de buscas vãs, embevecidos deixamos vir à tona regressos de emoções que nem o tempo martirizado pelos arranhões das unhas da saudade pode calar a poesia de encantos [e até desencantos]. Fantasia é sobejo de saudade, é delírio de vontades guardadas, pedacinhos de “desfaço a realidade” e um bocadinho de felicidade.

Às vezes a vida é tão dura e dolorida, a realidade tão sonsa, que necessitamos ter um pouco mais... Divagar numa fantasia é dar um refresco para o espírito, é fabricar sonhos e dar uma razão que preencha o vazio. Aí é que entendemos que divagar numa fantasia é melhor que nada, pois nela, nem que seja por alguns momentos temos tudo... Ou quase tudo!

Fantasiar é criar um mundo ou a possibilidade de um momento no qual esbarramos nas concretudes que ansiamos. É tão bom fantasiar, é maravilhoso devanear! E dentro desse mundo à parte podemos por alguns momentos encontrar realizações. Isso é, até que algum estudo psicanalítico diga que isso é loucura, ou algum manual psiquiátrico diga que é um transtorno...

Marly Bastos

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

DIZ MOÇO, DIZ...

                                                        foto da Web
           Estou precisando de um terapeuta para o meu EGO. Esses dias olhei-me pelo espelho e gritei:”Meu Deus, estou parecendo uma jaca albinaaaa! Gente que tanto de celulite... Estou gorda! Fui pra academia no outro dia e me matriculei. O que queima mais gordura por aqui? Spinning? Então, começo por ele. Pedalei 45 minutos sem parar, suei feito cuscuz no ponto e no outro dia ainda tinha a impressão de estar com o selim no traseiro.Que dor! Pilates, musculação, ioga(que quase me quebrou ao meio) e dança de salão, queria fazer tudo. Claro que não agüentei, mas desde o primeiro dia já me senti mais magra..
          Ontem fui fazer fisioterapia (por causa da ioga que eu exagerei) e parei o carro numa rua de trás (como anda difícil estacionamento) . Andei apressada até o outro lado do quarteirão, pois estava meio atrasada. Quando já estava entrando no edifício da clínica, passei por um rapaz que disse alguma coisa que meus ouvidos captaram como “QUE GORDINHA LINDA”!
         Gordinha?? Que abusado, já não basta meu espelho?! Furiosa e num calor de 30º, eu fervi! Virei pra ele e numa voz lenta e entre dentes perguntei: “
         -Que foi que você disse mesmo???
         Ele arregalou os olhos, gaguejou e disse: “
         -Desculpe moça, foi mal...
         -Mal??? Foi péssimo! Como me chama assim de gordinha linda?? Que ridículo...
         - Eu não disse gordinha linda! Eu disse foi QUE BOQUINHA LINDA!
         Putz! Fiquei com cara de bola chutada... ...
        - Ãh... Então tá... Desculpe-me, é que estou meio gordinha mesmo. Sentei na calçada e ri com gosto.
         Ele ficou sem saber o que fazer. Parecia entre divertido e assustado:
         - Que isso moça! Falei da boca... É que você tem boca bonita mesmo...
         Gostei mais do “moça”... Levantei, virei as costas e subi correndo as escadas, calculando as 11 calorias que eu ia perder.
         O problema é que a gente ouve o que o cérebro comanda. Encuquei que estava gorda e bastou algo parecido para eu capitar como fato. Estava precisando de um terapeuta para o ego (e quando Deus manda eu espanto!).
         E já que cheguei mesmo atrasada na fisioterapia, devia ter aproveitado e pedido: “Diz mais moço que minha boquinha é bonita, diz que meus olhos são encantadores, que meu sorriso dilacera qualquer coração, e pode dizer até que sou gordinha, desde que coloque o bela depois, diz moço, diz...”

                                                          Marly Bastos

domingo, 11 de janeiro de 2015

ESPERO –TE




À beira da tua estrada, espero-te.
Com olhar vago, anseio que apareças naquela curva, onde o vi sumir um dia. 
Foste como quem ia ali e nunca mais voltou...
Deixando a tua ausência como ferida, na minha carne,
Como uma tempestade nos meus olhos,
Como um poço de fel na minha boca.
Ausentaste de mim teus lábios,
E deixastes o meus como borboleta com asas quebradas.

Na ponta da língua trago a saudade dos teus gostos...
E minha alma exala teu aroma , pois impregnaste-me o ser.
Sinto o frio que o espaço das tuas mãos deixaram...
Já não tenho a claridade do teu sorriso, nem a profundidade do teu olhar.

Estou carente de ti...
E pergunto no meu coração, se pensas um pouco em mim,
Todavia, não obtenho respostas
E meu espírito silencia-se desconfortavelmente.
Parece-me que nesse silêncio rotundo das minhas entranhas, 
Já nem vivo!
Pois não me percebo, sinto-me feita apenas de ar, transparente,
Ou se alguma matéria tiver, é apenas vidro...

Sou mendiga da tua presença,
Do te amor,
Das tuas palavras.
E sou pedinte à beira da tua estrada.

Marly Bastos









domingo, 4 de janeiro de 2015

TELA DA VIDA

           

Não sei... Tenho chorado por pouco, sofrido por menos e sentido por demais. O que me deixa assim, eu não sei, talvez sejam os problemas do dia-a-dia, a falta de perspectiva na minha vida. Acho que tenho deixado de sonhar os meus sonhos e sonhado os sonhos dos outros. Tenho vivido de expectativas e frustrações, de indagações para perguntas que não tem respostas. Em todos esses meus anos de existência, poucas coisas guardo no baú da saudade ( segredos, desejos, decepções, traumas e algumas alegrias que decidi não repartir).

Recordo os caminhos de longe, e acho tão longe os caminhos de perto! Descobri que os espaços abertos da infância, não podem ser devolvidos. Os sonhos eram pequenos e simples, mas não tinham limites, eu os criava e recriava. Era autora e atora da minha história... Não tinha autonomia para quase nada, mas era dona de mim, dona da minha matéria-prima frágil, mas virgem... Intocada pelos dissabores da vida! Hoje tenho autonomia, mas sou escrava das convenções, conceitos, rótulos, imagens, palavras, juízos e definições, que bloqueiam os sentimentos e interferem nos relacionamentos verdadeiros...

Fico pensando o quando nos mascaramos para nos defendermos da matéria fosca que a vida traz... Sinto que estou deixando a vida escorrer por entre os dedos do tempo, enquanto ela devia jorrar como manancial precioso, cortando a história, fazendo trilheiros, abençoando as vidas por onde passar. 

Sinto saudades! Dos tempos de aventura, dos tempos de fantasia, dos tempos de paraíso, dos tempos da inocência, dos tempos da adolescência e da falta de consciência. Sinto saudade do colorido aguçado das coisas. Ainda há um lugar vazio, onde foi me roubado um beijo, e uma desordem por um tufão de emoções em minha vida. Eu na verdade queria ser recriada, ir me fazendo criança, trocando a experiência pela infância, o trabalho pela brincadeira, a realidade pelos contos de fadas. Trocava o galopar do cavalo alado capitalista, pelo cavalo-de-pau tão fraco quanto minhas perninhas de outrora. 

Vou vagando e divagando ao longo da minha vida e quando faço isso, acabo na escrita e... Escrevo poemas sim! E em alguns sinto que nem tudo está perdido, pois ainda me perco e me acho neles... Não sei se não sei o que sinto. Às vezes sinto que minto pra mim mesma. Fujo do doce amargo das frias conclusões, dos turbilhões que a tela irreal tece da vida. 

Preciso repintar minha história, colocar em evidência as relíquias reprimidas e buscar a mulher em mim, que me foi dada de presente, para amar e para viver de amor. Sem deixar-me abater pelas horas que partiram a vida em sonhos e transformaram meus sonhos, em realidade nua e crua...

Marly Bastos

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

SOMAS E SUBTRAÇÕES




Ah, que indivisível sentir é esse?Que confusos somos...
Confundimos algo tão simples e complicamos algo tão descomplicado. 
Queremos um total de igualdade quando na verdade a atração está na diferença que se revela. Concordarmos com tudo nos faz sem graça, sem sal e sem uma conversa interessante... 

Eu não quero ser parte que te completa, ou que você seja minha outra metade e sabe por quê?
Eu e você somos seres completos e necessitamos um do outro para compartilharmos nossas diferenças, nossas opiniões, nossos desejos, nossas alegrias, nossos desapegos, nossa pequena grande vida...

E se tem que ser à parte, que seja!
Pra que filosofias, imposições, quereres vãos que vão além das afinidades? 
Se eu quero migalhas?? Sim quero! E quero muitas, todas que quiser dar-me,
afinal como diz aquele velho e bom ditado “é de grão em grão que a galinha enche o papo”.
É na soma das gotas que se forma uma chuva, e quando as gotas são abundantes, há tempestades...

Eu quero é nadar de braçada meu amor![Nem que seja contra a correnteza!]






Marly Bastos

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

É NATAL [DE QUEM???] -

                                          FOTO DA INTERNET
Eu acreditava em Papai Noel. Foi menina do interior que esperava ansiosa o dia de Natal e claro, colocava os sapatos debaixo da cama pra ele saber onde deixar o que eu tinha pedido. Não eram grandes pedidos, não eram sonhos irrealizáveis para um Papai Noel, mas o fato é que ele nunca realizou um pedido meu [e nem dos meus irmãos]. Comecei a achar que o Papai Noel fazia acepção de pessoas, pois para os meus primos ele dava o que eles queriam, para mim e meus irmãos nunca deixava sequer um brinquedo. Apenas balinhas, pirulitos, gomas de mascar e Maria-mole...

Ficava imaginando que ele deveria ficar todo sujo, pois teria que descer pela chaminé do fogão e era tão estreitinha [como é que caberia aquele velho gorducho?]. Será que era por isso que ele ficava com raiva e deixava somente aquelas guloseimas? Deixávamos as janelas dos quartos entreabertas para facilitar a vinda dele, mas nem isso adiantava. Ele não gostava nem de mim e nem dos meus irmãos...

Hoje fico imaginando quantas crianças passam pelo mesmo drama que eu [drama sim, eu não entendia que o Papai Noel, presenteava de acordo com o bolso do seu pai] de se achar menosprezada pelo “bom velhinho”. Imagine as crianças nos orfanatos, ou em lares tão sem recursos como era o meu. Nossa decepção era visível e meu pai ficava com os olhos embaçados de lágrimas. Eu pensava que ele também ficava triste com o Papai Noel. Ele ficava triste era pela impossibilidade que sentia diante das circunstâncias. Posso garantir que foi mais traumatizante para eu saber que Papai Noel era uma mentira do que descobrir que cegonhas não trazem bebês.

Contei minha história para que entendam o porquê da minha reserva e até indiferença com esse dia tão alardeado. Natal é uma festa Cristã né? Mas, se perguntar as crianças qual é o símbolo do Natal elas vão dizer: Papai Noel, presépios, árvores de Natal, presentes... Enfim, é o dia que todo mundo se reúne para comer peru, pernil e outras coisas gostosas [e beber também, se possível até cair]. 

Natal é o dia em que se comemora o nascimento de Cristo, portanto o seu aniversário. E geralmente nesse dia de festa, confraternização e alegria pelo nascimento do Aniversariante, ele não é convidado e nem sequer lembrado... “Troca-se presentes, vestem-se de” Bom Velhinho, brindam “Feliz Natal”, mas Cristo continua de fora da festa! Como pode isso? Festa sem aniversariante!

Natal é para mim capitalismo exacerbado. É dia em que as contradições sociais mostram a cara, pois enquanto uma parte esbanja fartura, a outra amarga as sobras nos latões de lixo ou sonham com a coxa de peru que enfastiado, alguém deixou no prato pra juntar aos dejetos.

Natal deveria ser tempo de reflexões, de renovo, de renascimentos. O Natal é uma festa cristã, onde tantas crenças e enxertos a uma comemoração tão simples tornou-se desvirtuada. O Natal genuíno é aquele que é comemorado todos os dias e em agradecimento ao Rei dos reis que nasceu em humildade para nos fazer grandes em amor e comunhão com Ele e com o próximo.

Agradecemos a ti oh Deus, por ter nos enviado o Seu Filho, que se despiu da Sua Glória, encarnou e se fez homem de dores para nos dar eterna vida. Se eu comemoro o Natal? Sim, mas sem esse acerbado espírito natalino, que parece contagiar por um tempo todos, e muitas vezes, dele fica uma boa dívida pra lembrar por meses essa comemoração...

                                                                   Marly Bastos

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

MEU PRIMEIRO BICHINHO DE ESTIMAÇÃO



                          foto da web

Quando criança eu queria um bichinho de estimação, pois minha irmã tinha um e eu não. Morávamos em fazenda e eu não considerava cachorro e nem gato bicho, era animal de casa.Então, não servia.

Minha irmã ganhou um filhote de papagaio, e eu queria algo parecido. Perturbava meu pai dia e noite, querendo um bicho pra mim, mas tinha que ser bicho do mato. Pintinho também não servia, porque era ave, e não passarinho.

Um dia, apareceu um bando de gralhas atacando os ninhos das galinhas, matando os pintinhos e bebendo todos os ovos, postos no dia ou chocos. Meu pai, com uma espingarda de chumbinho espantou o bando, e uma delas foi atingida na asa e caiu... E ele presenteou-me com ela.

Eu na minha inocência dos cinco anos, pensei que ia ser uma amizade pra sempre! Até que fui dar arroz cozido na mão pra querida gralhinha e quase fiquei sem os dedos. Ela bicou minha mãozinha sem dó, até sangrar. Lágrimas de dor e frustração desceram dos meus olhos. Eu a perguntava o porquê da bravura comigo, pois não tinha sido eu quem a havia machucado, mas ela com os olhinhos redondos, peito estufado, respondia com piados estrangulados e agudos.

No outro dia, com a mãozinha enfaixada, fui até onde o meu bichinho de estimação estava amarrado pelo pé, e forcei novamente a amizade. Com todo carinho tentei dar um beijinho na asa machucada pra sarar, igual mamãe fazia comigo, e ela avançou no meu rosto quase arrancando meus olhos. Fiquei com a cara parecendo que tinha recebido uma descarga de chumbinho. Tipo assim:” pai que com chumbo feri, filha com bico será ferida(igual chumbo).

Não quis mais o bichinho de estimação... No outro dia, voltei lá e disse pra gralha:” Você não é amiguinha, pois é má, machucou minha mãozinha e meu rostinho... Você não é bonita como o papagaio e fala muito feio. Pode voltar pro mato!” Dei as costas pra ela e saí pisando duro. Lembrei! Voltei e disse mais: “E vai ter que se soltar sozinha, pois eu tenho muito medo de você sua... sua... graaaaaaaaaaaaaalha!”

Bem... Eu voltei lá uns dois dias depois, mas a gralha havia sumido. Nunca fiquei sabendo como ela saiu de lá, mas desconfio que não sobreviveu, pois a gralha é considerada uma praga, destrói uma ninhada de ovos num piscar de olhos e ainda mata os pintinhos novinhos. Sei lá...

Marly Bastos