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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

QUANTO AO ESQUECIMENTO...



Eu acreditava que esquecer era ignorar, riscar da agenda, mudar de calçada, bloquear todo tipo de comunicação. Mas isso se chama “dar gelo”(e quem dá gelo quer revanche) que é ignorar com a razão e deixar padecer o coração. Padecer sim, pois cada esbarrão é como um terremoto dentro da gente, cada ligação que não atendemos é uma noite insone e em cada mudança de calçada fica a distância entre a raiva e a frustração... 

Com o tempo fui notando que o verdadeiro esquecimento preside não no fato de excluirmos a pessoa da nossa vida e sim de deixá-la se perder da lembrança de tal maneira que se alcance a insensibilidade presencial que ela evoca. Entendi que a gente somente esquece quando a raiva para de assolar a alma ao pensar na pessoa, quando ela já não te causa mais sofrimento e sim indiferença. 

Você esqueceu quando há uma diminuição vibratória da sua alma em contato com tudo que evoca o outro e nesse tempo, vem sobre você uma sensação indefinível, uma leveza incompreensível, isso porque o esquecimento traz em si o perdão (quando se trata de um coração magoado). O passado te assola? As lembranças te aprisionam? Então, você está deixando de viver seu tempo! 

Para viver [plenamente] é necessário esquecer o passado ruim e isso implica “limpar a casa” para que outros sentimentos abram espaços para o futuro, apagando com a borracha do perdão todo embaraço que "borrou” as páginas da sua vida. Machado de Assis escreve que “esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa apagar o caso antigo”. Portanto creio que esquecer é a morte daquilo que faz o coração se contrair de nervosismo, dor, angústia, tristeza, frustração... Esquecimento é deixar de tremer e temer diante dos algozes da alma. 

Somente o perdão traz esquecimento, pois ele é o desapego total do sentimento de vingança (sempre queremos que o outro pague pelo sofrimento a nós incutido mesmo intencionalmente; queremos que o outro se trumbique e a negação disso é hipocrisia). Perdão e esquecimento andam de mãos dadas, quando se separam, o primeiro morre e o segundo gera o filho chamado vingança sem causa. 

O tempo é um aliado que resolve quase tudo! O tempo cura feridas e as cicatrizes que ficam já não doem, pois o ponteiro do relógio da vida vai girando e levando junto lembranças, saudades, tristezas e promessas vãs pra bem longe! E longe, tem a espessura de um perdão e quase a distância de um esquecimento. 

                                                            Marly Bastos

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

AMEI-TE MAIS QUE A MIM!

                                                     Imagem da WEB

Dei-te os meus dias, e desde sempre fui sua. 
Quis-te com a serenidade de uma chuva de verão, 
E satisfiz-te em todos os desejos que ousou pensar. 
Nas horas turbulentas, ouvi-te calada, aflita, pronta a fazer-me colo, 
E nessas horas conheci tuas impossibilidades. 
Assim, fiz-me teus sonhos, e sonhei tuas vontades. 
Amei-te mais que a mim...·. 

Desprezando a voz da razão, amei-te mais do que pude, e menos do que queria... 
Porém, de nada valeu a ti o meu querer, 
Pois migraste para outro coração. Se é que um dia pousaste no meu... 
Só eu amei e bem mais que a mim. 

Sangra-me o coração, e a saudade mata-o aos poucos. Dele se esvai o viver [pleno]. 
Hoje, sei que fiz do ermo um paraíso, sobre o abismo fiz nuvens, 
E no espaço vazio escrevi-te as mais doces poesias! 
Nessas demonstrei o que de mais precioso existe no meu ser: 
A maneira incondicional de te amar mais do que a mim. 

Minha vida boceja nas horas que não passam... Ah! Tempo preguiçoso! 
Sinto-me seca como um manancial que somente alimentou, 
Sem receber nenhuma provisão.
 E meus olhos são janelas vazias, sem reflexo, 
Por onde entra uma chuva fina, temporã, lavando a alma. 
As lavas explosivas de outrora, agora são borralho e cinzas apenas. 
Ponho-me em total desamor e a tristeza que fica, 
Parece-me muito maior do que o amor que eu amei sozinha 

Marly Bastos 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

ETERNO CANTANTE!

foto da Web
Há em meu peito, um pássaro migrante
Cheio de inquietude, mas eterno cantante!
De manhã, canta a vida de alegria cheia,
De tarde, seu cantar na nostalgia passeia,
Lançando seu som inspirado ao vento, 
Pleno de opostos, ora contraído de tormento, 
Ora povoado de delírios de prazer. 
Mas, é assim o meu viver!

Sou alma presenteada ao sentimento 
É desse pássaro migrante, o constante alimento:
Amor, saudade, alegria e raramente razão... 
Sem juízo esse meu contraditório coração!
Rimas que parecem tão fáceis, fluentes,
Mas foram geradas dos amores e dores vertentes. 

Essa canção poesia, que às vezes sai espremida,
 É o sentir da alma, que foi contraída
É o entoar daquilo que por certo (não) se sente,
É grito de dor que (nem) sempre é existente...

Marly Bastos

sábado, 10 de novembro de 2012

AH, ESSA MINHA AUSÊNCIA TUA [É um poema extenso, mas vale à pena ler! Rsrsrsrs]



Queria tanto fazer versos alegres!
Desses que fala de flores coloridas, céu azul, borboletas,
Crianças brincando, passarinhos, doces paragens, infância feliz,
Amor correspondido... Queria falar de você!
Minhas palavras não vão longe...
Pois começo a derramar teu nome pelos meus olhos,
Que lentamente escorrem face abaixo e amargam meu paladar.
[Seu nome não é doce!].
Queria tanto fazer versos alegres como músicas...
Harmonicamente chamo-te pelo avesso,
Com passos dançantes, visito teu reverso,
Procuro teus acordes e não encontro minhas notas...
[Nem minha inspiração]
Dedilho tuas entranhas e não encontro meus ecos.
Teu direito não me tem, teu contrário me esqueceu...
[Tudo está tão sem rimas]

Queria fazer versos alegres!
Daqueles que nos fazem ver “passarinhos verdes”,
“lamber lixa de parede”
“viajar na maionese”,
“pisar no tomate”,
Tomar “chá de rosa azul,
E ter “olhar cor de rosa”.
Queria versos que fluíssem com lembranças do amor de outrora,
Dos planos futuros, das brincadeiras de roda, da serenidade da face,
Da emoção da prosa em verso que fazias e declamava aos meus ouvidos,
Da admiração dos teus olhos ao ver-me quase nua e quase tua.

Eu faria versos alegres...
Se eu lembrasse tão somente do perfume das rosas que me ofertaste,
Porém, lembro-me, tão somente que tentei preservar-lhes a vida ao máximo, 
aparando seus talos já mortos, prolongando-lhes o vigor.
E somente as jogava fora quando já haviam caído todas as pétalas.
Hoje estou como elas, só talos.  Todavia, eu me regenero,
Mesmo que o ciclo que tenho que percorrer seja longo.

Eu faria versos alegre se não me sentisse
Lesada pelos beijos que não me deste,
Pelo afago que não senti,
Pelas tuas palavras sussurradas que não chegaram aos meus ouvidos,
Pela ausência do teu riso que alegrava meu coração.
Você roubou-me tua presença...

Eu farei de novo versos alegres quando a minha carência tua,
Já não mais houver... Ela um dia será suprida, pois nada é pra sempre.
[Pois pra sempre não existe...].
Essa ausência,
Deve durar o tempo em que for alimentada pela minha alma distraída,
Depois ela, a ausência, irá ao seu encontro, e aí, não será mais minha.
[Porém tua...]

Marly Bastos

domingo, 4 de novembro de 2012

TANTA SAUDADE



Saudade! 

Desse teu olhar longo e macio, 

Tão revelador, sedutor e instigador. 

Derramando doçura pelo meu corpo, 

Declamando poesia para a minha alma em flor.


Saudade, 

Daqueles beijos fugidos, roubados, atiçados. 

Beijos com a mansidão de um lago enluarado, 

                                                    Ou a volúpia de um mar encrespado                                                                                                              

Saudade, 

Daquele gosto 

Que só da sua boca sei provar. 


Saudade! 

Do nosso afago, 

Do teu carinho 

Da tuas viagens derrapantes pelas minhas curvas 

Das brincadeiras no”parque de diversão” 

Onde ora me faço mulher por inteiro

E tu te fazes menino matreiro...

Ora, 

Me faço menina instante

E tu te fazes meu homem constante...


Saudade... 

Do teu ombro confortante 

Do teu colo acolhedor, 

Saudade do teu amor. 

Marly Bastos

terça-feira, 30 de outubro de 2012

HORAS MORNAS E INÚTEIS



O tempo se comprime e dilata 
e já nem sei das horas que passo tentando decifrar essa dubialidade 
que paira sobre suas palavras, suas ações e até no teu olhar...
 Ora tão meu, ora somente seu! 

Quase solfejo assistindo à corrida descabida dos ponteiros 
buscando alcançar os minutos que fogem dos segundos. 
Eu me enlaço nas horas e num esforço preguiçoso e frouxo
 procuro a reflexão do nada... Sorvo sem pressa o vazio da mente,
 busco lembranças doloridas e esperanças dormidas
 e elas chegam quando meu neurônios querem num ato de descaso,
 fazer a faxina mental. 

Continuo com os olhos fixos nos ponteiros que não retrocedem, 
Pois é na marástica melancolia que o seu trabalhar cria... 
No tic-tac onomatopeico eu penso tudo e penso nada! 
Nada caminha com tudo e tudo caminha com nada. 
Assim, torno em horas mortas as horas que o relógio marca... 

Já não posso retroceder nos meus sentimentos 
e nem nas vontades que arrastam minha mente para os devaneios 
que me faz viver na alma e morrer nos minutos, 
já que a concretude de tudo não é somente algo maior que sonhos.
 E sonhos não são grandes? Sim são, mas o devanear é apenas cinza,
 comparado ao fogo do viver “de vero.”. 

Pensar e rolar de um lado pro outro 
nessas horas mornas é apenas sustentar o fôlego,
 pois depois que a letargia toma o corpo e a mente embota,
 nada mais se retêm para proveito na aurora,
 e no ocaso, mais uma vez vem a inutilidade sinfônica do tic-tac retorcer meu ser...
E de novo me vem os pensamentos que não te decifram.

Marly Bastos

sábado, 27 de outubro de 2012

BLOGAGEM COLETIVA ESCRITOS LISÉRGICOS "LENDAS URBANAS"/ BICHO-PAPÃO, TENHO MEDO DE VOCÊ!




Bicho-Papão, tenho medo de você!


O bicho-papão é uma figura fictícia mundialmente conhecida e é usado pelos pais para assustar e impedir que as crianças desobedeçam. É uma das maneiras mais tradicionais que os pais ou responsáveis utilizam para colocar medo em uma criança, no sentido de associar esse monstro fictício à contradição da criança em relação à ordem ou conselho do adulto: “Não desobedeça, senão o Bicho-Papão vem te pegar...” 

Segundo a tradição popular, o bicho-papão se esconde no quarto das crianças mal educadas, nos armários, nas gavetas e debaixo da cama para assustá-las no meio da noite ou surge nas noites sem luar e coloca as crianças mentirosas em um saco pra fazer sabão. O bicho-papão é a personificação do medo, um ser mutante que pode assumir qualquer forma de bicho, um ser ou animal frequentemente de aspecto monstruoso comedor de crianças, um papa-meninos. Está sempre à espreita e é atraído por crianças desobedientes. Então, as crianças sentindo-se sozinhas e desamparadas, tendem a obedecer. 

Lendas são lendas e são lendas porque acreditamos nos mitos que elas acalentam e que a nossa imaginação alimenta. 

Eu fui uma menina de roça, e acreditava em todo tipo de coisas que inventavam e me contavam: Mula-sem-cabeça, da velha atrás do toco, de contar estrelas e criar verrugas nos dedos, de virar os olhos quando o galo cantasse ficava vesgo, e do Bicho-Papão. Aliás, do Bicho-Papão eu sempre tive medo, lembro que sempre olhava debaixo da cama pra ver se não tinha ninguém lá. Talvez, esse medo todo fosse por eu ser teimosa, birrenta,“fantasiosa” e meio levada da breca... E quando passei a dormir sozinha num quarto, ele começou a me aterrorizar. ... 

Era noite escura e de muita chuva. Isso bastava para eu tremer debaixo das cobertas [medrosa não, eu tinha imaginação fértil] e comecei a ouvir um barulho debaixo da minha cama... Tudo escuro e sem energia elétrica, mas eu tinha que ver o que estava lá. Olhei e dois olhos brilhosos e vermelhos me espreitavam! Uma paralisia tomou conta do meu corpo, uma mudez se instalou em minha garganta, meus olhos secaram e eu não tremia, mas tinha tiques nervosos. Fiquei dura, a respiração pesada fazendo barulho e eu não conseguia controlar. O Bicho-Papão estava lá e ia me devorar [nunca fiquei sabendo como ele devorava crianças, se comia inteira, se aos pedaços, se somente o coração...]. 

O terror se apossou de mim, espasmos sacudiam meu corpo que deveria ficar quietinho. De repente senti dedos sorrateiros por sobre os lençóis em que eu me cobria e um frio na minha espinha congelou-me... Mãos peludas contornaram meu pescoço e eu pensei ser meu fim, de olhos fechados aguardei a morte! Ouvi no ouvido um sussurrar, um ronronar que me parecia familiar, abri os olhos e vi os olhos brilhantes do Bicho-Papão a um palmo ou menos da minha cara. Puf, a energia elétrica voltou, as trevas se fizeram luz e o Bicho-Papão se transformou no meu gato Siamês[ah, gato levado!] Eu tinha sete anos na época, e de lá pra cá sempre desconfiei que Bicho-Papão fosse na verdade gatos traquinos que em noites frias e escuras, queriam o aconchego do dono. 
Marly Bastos 


Este post faz parte da Blogagem Coletiva Lendas Urbanas, promovida pelo blog Escritos Lisérgicos , em parceria com o blog Uma Pandora e Sua Caixa . O Bicho-Papão é uma lenda mundial e com uma variação enorme de nomes.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

NOSTALGIA


foto da Web

Nostalgia, ah nostalgia!

Vejo em ti uma transparente fatalidade...

Suplício Tântalo, tocando o inatingível com os dedos frios da solidão .

Enquanto isso, o tempo vai passando pela ampulheta da vida,

transformando em intempéries os prazeres e dores,

que debulham no vão do ser, 

sentimentos ora extrapolados, ora tão calados



Nostalgia, força arbitral!

Que faz brotar da saudade a lágrima

e do desejo, um gemido mudo.

Que centrifuga sentimentos,

extraindo imos labirínticos e ocultos

fazendo a força motriz se achar no efeito

e se perder na atração.



Nostalgia... Sentimento vazado,

num sol que arde ou numa lua que encanta

e que em horas longas,

cantam o existir ríspido de saudades insólitas

ou de detalhes tão detalhes,

que nem parecem provocar esse arpejo dentro da gente...

A nostalgia às vezes, parece com um adeus que nunca partiu.



Marly Bastos

sábado, 13 de outubro de 2012

PALAVRA


Tenho me mascarado nas palavras que lanço ao vento e me escondido nas entrelinhas que deixo para formar as reticências, nas quais vou navegando minhas impossibilidades e me fazendo entender pelas metáforas que a vida vai lançando. 

Às vezes, as palavras me são vento de moinho, por outras vezes, um pé de vento que levanta a poeira das coisas velhas e ocultas. Também tem dias que elas formam um vendaval em minhas emoções e me arrancam do chão de maneira quase arrebatadora. 

Eu amo as palavras! Através delas o mundo invisível se move e o visível se concretiza. Sou feita de palavras! Palavras que muitas vezes curam e também ferem; que apaziguam ou provocam guerra. Eu firo com as palavras, mas as palavras também me ferem. As vezes elas são lanças que me atravessam o peito, ou bálsamo que refrigera minha alma.

Tenho uma língua afiada e sou de fácil verborragia, mas tenho aprendido que no silêncio é que se formam as maiores fortalezas, embora nem sempre ajo como tenho aprendido... Num ímpeto que me treme o imo, solto todo vernáculo aprisionado na cela da boa convivência, sendo guardado pelo carrasco da prudência e depois amargo nos açoites do arrependimento já que palavras não voltam atrás. 

Sim eu amo as palavras! Sou amante de todas as que posso grafar e por vezes, no supetão da paixão, torno-me escrava das que pronuncio e dona absoluta daquelas que calo. Enfim, sou palavras e sou silêncio... Sou o emudecer das coisas que deveria pronunciar e o tagarelar de coisas que deveria silenciar. Sou humana e ainda não me formei na sabedoria...
                                                                       Marly Bastos

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Desconexão vocabular

          Vendo uma foto de pescaria do pai, o menininho pergunta pra mãe que peixe era aquele que parecia um tubarão. A mãe achando engraçada a comparação, explica que aquele peixe é um "Filhote".
          O menininho fica por longo tempo olhando a foto  e diz:
          - Se esse é um filhote, que tamanho enorme deve ser o papai e a mamãe dele!




Foto de um Filhote (ou Piraíba), peixe de água doce que mede até mais de 3 metros e pode pesar mais de 200 kilos.
Marly Bastos